História de Gabriel Damasceno – Jornal Estadão
O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira, 25, que mais de 60 milhões de unidades da primeira vacina 100% nacional e de dose única contra a dengue serão ofertadas anualmente a partir de 2026.
O anúncio ocorreu em meio a rumores sobre a saída de Nísia Trindade da pasta. No evento, a ministra fez um discurso emocionado sobre vacinas e foi ovacionada pelo público. Ela e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente na cerimônia, não mencionaram mudanças no ministério.
Nísia Trindade e Lula anunciam fabricação de vacina contra dengue ao lado de Geraldo Alckmin e Esper Kallás Foto: Ricardo Stuckert/PR
A produção da vacina será viabilizada por uma parceria entre o Instituto Butantan e a empresa WuXi Biologics, com investimento previsto de R$ 1,26 bilhão.
O Butantan submeteu o pedido de registro da vacina à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2024 e aguarda o parecer do órgão. Quando aprovada, a Butantan-DV será a primeira do mundo em dose única e poderá ser aplicada em pessoas de 2 a 59 anos.
Nos ensaios clínicos, o imunizante demonstrou 79,6% de eficácia geral para prevenir casos de dengue sintomática e uma proteção de 89% contra dengue grave ou com sinais de alarme.
Com a produção do imunizante, o objetivo do governo é ampliar a proteção contra a doença. O Brasil foi o primeiro País do mundo a oferecer um imunizante contra a dengue na rede pública, a vacina Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda. Mas, devido ao número limitado de doses, só crianças e adolescentes de 10 a 14 anos de 521 municípios selecionados foram inicialmente incluídos no programa de vacinação.
“É fundamental que, dentro das estratégias de controle da doença, tenhamos mais vacinas disponíveis”, concorda Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). “A partir do momento que tivermos um outro produtor, em especial sendo um produtor nacional, vai ser muito importante ampliar a faixa etária de utilização da vacina”.
Imunizações contra o VSR
O ministério também informou que pretende produzir no Brasil a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), maior causa de hospitalizações em crianças de até 1 ano e responsável por 60 a 80% dos quadros de bronquiolite e pneumonia na população de até 2 anos.
Uma parceria entre o Butantan e a Pfizer permitirá a fabricação de até 8 milhões de doses anuais, segundo a pasta. A ação começou em 2023 e segue até 2027.
O primeiro fornecimento da vacina para o SUS está previsto para o segundo semestre deste ano e, de acordo com o ministério, estima-se que o projeto vai evitar cerca de 28 mil internações anuais relacionadas a complicações do VSR.
“É fundamental que a gente caminhe cada dia mais para uma certa autonomia na produção de imunobiológicos e também é muito importante reforçar a nossa indústria nacional”, avalia Cunha.
Insulina
O governo anunciou ainda a fabricação nacional da insulina glargina, indicada para o tratamento de diabetes.
O projeto envolve a produção nacional do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a ampliação da fabricação do produto final pela Biomm.
A parceria pode possibilitar a produção de 70 milhões de unidades anuais até o fim do projeto. O produto está previsto para chegar ao SUS no segundo semestre de 2025.