Sessenta países, entre eles membros da União Europeia, Austrália, Japão e Reino Unido, assinaram nesta segunda‑feira (12) uma declaração que se compromete a preservar a liberdade de navegação e a se opor à introdução de pedágios em estreitos de uso internacional.
"Apoiamos as iniciativas multilaterais defensivas e não escalatórias em curso, destinadas a preservar a liberdade de navegação. Nós nos opomos a quaisquer medidas, incluindo a imposição de taxas ilegais, pedágios, restrições discriminatórias, exigências de autorização prévia ou outras condições que possam dificultar ou prejudicar a navegação legal em estreitos utilizados para navegação internacional", afirmou a declaração.
Destaques:
- 60 países assinam declaração contra pedágios
- União Europeia, Austrália, Japão e Reino Unido entre os signatários
- Compromisso de trabalhar pela liberdade de navegação
A iniciativa surge em meio a especulações sobre a cobrança de tarifas no Estreito de Ormuz desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro. A primeira menção a um possível pedágio apareceu em abril, um mês após o conflito ter começado.
Em julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a anunciar que Washington cobraria 20% sobre a carga de todas as embarcações que atravessassem a região, mas recuou um dia depois. No mesmo período, Irã e Omã iniciaram discussões para uma gestão compartilhada da rota, que movimenta cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo.
A tensão na região aumentou após a explosão de um petroleiro no Estreito de Ormuz, relatada pela Guarda Revolucionária do Irã no sábado (10). Segundo a imprensa estatal, o navio atingiu uma mina naval e pegou fogo. Não foram divulgados nome, bandeira ou detalhes sobre vítimas.
Um levantamento da Reuters (quarta‑feira, 7) apontou que os ataques a petroleiros na região atingiram o maior número semanal desde o início do conflito, com 12 incidentes entre 28 de setembro e 5 de outubro. Dados da Organização Marítima Internacional registraram nove ocorrências no mesmo período.
Na terça‑feira (6), o Ministério das Relações Exteriores da Índia informou que 12 tripulantes ficaram feridos ao ser atingido o petroleiro panamenho On Peace. No sábado, a Guarda Nacional dos Emirados Árabes Unidos resgatou 22 tripulantes de outro petroleiro que pegou fogo no Golfo Pérsico, segundo a Associated Press.
O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, permanece como passagem estratégica para o comércio de energia. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundial transitava pela rota. Desde fevereiro, os confrontos entre EUA e Irã têm elevado custos de frete e seguro, além de provocar oscilações nos preços internacionais do petróleo.
O Irã tem imposto restrições à navegação no estreito, enquanto os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval contra embarcações que entram ou saem de portos iranianos.