Abstenção nas eleições de 2026 supera 33 milhões

Mais de 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, elevando a taxa de abstenção para 21,08% do eleitorado apto – a segunda maior desde 1998.

Diversos motivos explicam a ausência

O cientista político Jairo Nicolau, da Fundação Getulio Vargas, afirma que a falta de voto não pode ser atribuída apenas ao desinteresse. Ele aponta perfis variados: eleitores não obrigados, residentes longe do domicílio eleitoral e problemas de cadastro.

"A gente não sabe porque não há pesquisa", disse.

A pesquisa Datafolha divulgada em 9 de outubro apontou as principais razões: viagem (19%), saúde (18%), desinteresse (13%) e trabalho (9%). Eleitores também citaram burocracia para transferir o título e dificuldades de acessibilidade.

Impacto regional e perfil dos ausentes

A análise de Nicolau mostrou que o Nordeste registrou a menor taxa de abstenção (18,4%), seguido pelo Norte (19,4%). O Sudeste apresentou o maior percentual (22,7%) e concentrou 15,1 milhões dos 32,9 milhões de ausentes.

Jovens de 18 a 29 anos, obrigados a votar, e pessoas com 70 anos ou mais, especialmente mulheres de baixa escolaridade, foram os grupos mais ausentes. Em 2022, 7,7 milhões de jovens deixaram de votar; em 2022, cerca de 4,5 milhões de mulheres idosas não compareceram.

Consequências da obrigatoriedade fraca

Nicolau destaca que a multa de R$ 3,70, inferior ao preço de uma passagem de ônibus, reduz o efeito prático da obrigatoriedade do voto.

"É um voto obrigatório no papel, mas está se tornando um voto facultativo na prática", afirmou.

Ele ressalta que, embora a taxa de abstenção tenha permanecido quase estável em relação a 2022, o fenômeno reflete um padrão brasileiro de ausência nas urnas.

"A gente está nesse patamar, mais ou menos 20 pontos, porque eu acho que tudo indica que é o padrão brasileiro de ausência das urnas", afirmou.

Perspectivas para o segundo turno

No domingo, 11, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pediram mobilização de seus apoiadores para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Lula incentivou a convencer quem não votou no primeiro turno; Bolsonaro alertou para não “baixar a guarda”.

A compreensão das diferentes razões de abstenção permanece limitada pela falta de pesquisas específicas, segundo Nicolau, que defende aprofundar o estudo do eleitor ausente.