A advogada Maria Cláudia Bucchianeri, responsável jurídica pela campanha de Flávio Bolsonaro, declarou nesta quarta‑feira (14) que a área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou fake news no canal "Exército do Lula" porque o deputado André Janones apagou parte das mensagens.
Destaques:
- 499 mensagens excluídas de 1.372 publicadas
- 116 mil encaminhamentos antes da exclusão
- Pedido de preservação de conteúdo negado pelo ministro corregedor
Bucchianeri informou que Janones removeu 499 das 1.372 mensagens postadas no canal, o que corresponde a mais de um terço do conteúdo. As mensagens apagadas foram encaminhadas 116 mil vezes antes da exclusão.
"Na verdade, a área técnica não disse que não tem [fake news]. Disse que não identificou. Ela disse que não achou. E ela não achou por um motivo muito simples: o Janones apagou um terço das mensagens que ele colocou naquele grupo", afirmou.
Em entrevista ao Estúdio i, Janones negou ter divulgado fake news e anunciou que pretende acionar a advogada por calúnia.
A campanha de Flávio Bolsonaro solicitou que a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o canal fosse conduzida sob sigilo, visando preservar as mensagens antes da notificação dos responsáveis. O pedido não foi atendido, pois o ministro corregedor não determinou a conservação do material e retirou o sigilo.
"O ministro corregedor não determinou a conservação do material e tirou o sigilo. Então, quando isso foi parar na unidade técnica, não surpreendeu absolutamente ninguém que aquilo não fosse encontrado", afirmou.
Para contornar a exclusão, a equipe de Flávio Bolsonaro instalou um programa que registra em tempo real as publicações do canal, inclusive as que são apagadas. O material já foi apresentado ao TSE.
"A gente está espelhando em tempo real o canal do Janones. Nós temos a grande maioria das mensagens que ele apagou", disse.
Bucchianeri citou exemplos de supostas notícias falsas que acusavam ministros de receber propina e faziam referência à padroeira do Brasil. Ela também acusou Janones de orientar os participantes a copiar e colar mensagens e a compartilhar vídeos sem assisti‑los, a fim de ampliar o engajamento antes da exclusão.
A análise técnica do TSE, entretanto, não identificou conteúdo irregular. A campanha de Flávio Bolsonaro pode aceitar o restabelecimento do "Exército do Lula" sem aguardar o prazo de 48 horas, desde que cumpridas as medidas determinadas pela Justiça Eleitoral, que incluem monitoramento do canal e proibição de novas exclusões.
"A gente pode concordar com o restabelecimento desse Exército do Lula, sem precisar cumprir a carência de 48 horas, porque agora, sim, o canal está no eixo", afirmou.
Bucchianeri ainda criticou a regulamentação do TSE, alegando que as restrições aos grupos de WhatsApp não acompanham o surgimento dos canais, que permitem alcançar públicos maiores.