O vice‑presidente Geraldo Alckmin (PSB) reiterou nesta quinta‑feira (22) que o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentou 19 a 20 exigências para impedir a abertura dos seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. A declaração ocorreu durante visita à Santa Casa de São Carlos (SP), ao comentar a postura do candidato nos debates eleitorais.
"O presidente Lula colocou bem, falou: ‘Olha, vamos romper com os sigilos bancário, fiscal, telefônico’. Aí ele [Flávio Bolsonaro] apresentou 19 exigências, apresenta 20 exigências, é que não quer abrir sigilo nenhum", afirmou Alckmin.
Destaques:
- Flávio Bolsonaro apresentou 19‑20 exigências para não abrir sigilos
- Lula autorizou a quebra de sigilos condicionada à mesma ação do adversário
- Campanha de Lula deve protocolar resposta ao TSE ainda hoje (22)
Debate na Band e desafio de Lula
No debate presidencial da Band, realizado no domingo (18), Lula desafiou Flávio Bolsonaro a divulgar seus dados privados. Em resposta, o senador enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma contraproposta com novas exigências, incluindo a abertura de sigilos de assessores, empresas familiares e registros de visitas ao Palácio do Planalto.
Exigências apresentadas por Flávio Bolsonaro
- Sigilos de assessores próximos: termos de autorização de quebra de sigilo de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como "Marcola".
- Empresas de familiares e sócios: contas e sigilos de empresas ligadas ao filho Fábio Luís Lula da Silva ("Lulinha"), negócios no exterior e do Instituto Lula.
- Caso Master: divulgação de registros de visitantes no Palácio do Planalto e reunião entre Lula e Daniel Vorcaro (dez/2024).
- INSS: esclarecimentos sobre a lobista Roberta Luchsinger, voos na FAB e quebra de sigilo do sindicalista Frei Chico.
- Cartão corporativo: abertura de gastos do cartão da Presidência desde janeiro de 2023 e agendas da primeira‑dama Janja.

Resposta de Lula e posicionamento da campanha
Em documento protocolado ao TSE, Lula autorizou a liberação dos seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico dos últimos oito anos, bem como dos seus parentes Rosângela Lula da Silva (Janja) e Fábio Luís Lula da Silva. A liberação está condicionada à mesma ação de Flávio Bolsonaro, que deve abrir seus próprios sigilos e os de empresas como Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda. e Alcazar Holdings.
"O debate é um ponto alto da campanha porque ele é mais verdadeiro, né? Ele não é produzido, ele é mais espontâneo, mais verdadeiro e deve ser sempre um instrumento para esclarecer o eleitorado, para tirar dúvidas, para prestar contas. E lamentavelmente a gente viu que no caso do Bolsonaro foi um candidato desrespeitoso, não respondeu nada", afirmou Alckmin.
Implicações jurídicas
Flávio Bolsonaro enfrenta dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF): um sobre lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e outro sobre o financiamento da cinebiografia "Dark Horse". A campanha de Lula também manifestou preocupação com a atuação da Meta durante o período eleitoral, anunciando representações na Justiça Eleitoral.