Nos Estados Unidos, grupos ultraconservadores divulgam conteúdos que sugerem a proibição do voto feminino e a criação do voto familiar, onde o homem da casa decidiria nas eleições. O discurso tem ganhado eco no Brasil, país que garante o sufrágio feminino desde 1932.
O movimento antifeminista americano argumenta que a participação política das mulheres deveria ser substituída por decisões masculinas dentro da família. Essa proposta surge em um contexto em que o sufrágio universal nos EUA já ultrapassa um século.
No Brasil, o tema foi abordado no episódio 1823 do podcast O Assunto, apresentado por Natuza Nery. A jornalista conversa com a professora de relações internacionais Tatiana Vargas Maia, da UFRS, que explica a origem e as motivações do movimento, e com a cientista política Marina Basso Lacerda, pesquisadora da USP e da UnB, que analisa a repercussão nas urnas brasileiras.
Origem do movimento antifeminista nos EUA
Tatiana Vargas Maia descreve que o discurso surgiu entre grupos de extrema direita que utilizam redes sociais para disseminar a ideia de que o voto feminino seria prejudicial à ordem familiar. Segundo a professora, o conteúdo tem sido compartilhado em plataformas como Twitter e Telegram, alcançando audiências significativas.
Repercussão no Brasil
Marina Basso Lacerda aponta que, embora o Brasil tenha registrado 109 mulheres eleitas para a Câmara dos Deputados – recorde histórico – o debate sobre o voto feminino ainda é alvo de ataques de setores conservadores. Ela destaca que o fenômeno se manifesta em discussões online e em declarações de figuras públicas.
Contexto político atual
A eleição que trouxe o recorde de parlamentares mulheres também tem sido marcada por críticas a políticas de gênero. Deputadas como Eduarda Campopiano foram alvo de ataques de grupos conservadores, enquanto outras figuras, como a deputada mais votada no Rio Grande do Sul, criticam tais posicionamentos.
O podcast O Assunto, produzido pelo g1, continua a analisar o impacto desses movimentos nas próximas eleições, reforçando a importância do debate sobre direitos políticos e igualdade de gênero.