Aumento de agressões políticas de gênero foi registrado neste mês de campanha eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que os processos subiram 11 vezes, passando de 15 em 2022 para 177 em 2026. O crescimento ocorre durante o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, celebrado em 10 de março.

Dados de organizações e governo

Organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global contabilizaram 134 casos de violência política até o primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, o que equivale a um caso a cada nove horas. Desses, 70 envolveram mulheres (52,2%).

Do total de 102 episódios dirigidos a candidatos, 60 tiveram mulheres como vítimas (58,8%). Embora representem cerca de um terço das candidaturas, as mulheres foram alvos em mais da metade dos episódios de violência.

Denúncias contra mulheres candidatas

A Central de Atendimento à Mulher (Disque 180) registrou 1.564 denúncias de violência política contra mulheres entre janeiro e agosto de 2026. Mulheres pretas e pardas respondem por 842 denúncias (53,0%), seguidas por 590 denúncias (37,7%) de mulheres brancas. As demais 132 denúncias (8,4%) referem‑se a outras raças.

Rio de Janeiro (RJ), 27/07/2025 – XI Marcha das Mulheres Negras, em Copacabana, mobilização contra o racismo, por justiça e bem viver.
Rio de Janeiro (RJ), 27/07/2025 – XI Marcha das Mulheres Negras, em Copacabana, mobilização contra o racismo, por justiça e bem viver. — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

No final de setembro, organizações da sociedade civil entregaram ao TSE um documento com diversas denúncias de agressões contra mulheres candidatas nas eleições de 2026, incluindo violência física, verbal, ameaças de morte e estupro.

Caso da deputada Ana Elisa (PT‑MG)

A deputada federal eleita Ana Elisa (PT‑MG) denunciou à Polícia Civil ameaças de morte e violência sexual recebidas durante a campanha. Ela relatou mensagens com ataques machistas, racistas e ameaças de estupro, além de exposição de endereço residencial, telefone e documentos. O partido contratou segurança armada para protegê‑la.

Ana Elisa recebeu 524.219 votos, tornando‑se a segunda mais votada em Minas Gerais e a mulher mais votada na história do estado para a Câmara dos Deputados, além de ser a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil.

Análise institucional

A secretária Sandra Kennedy, do Ministério das Mulheres, vinculou a violência política a um cenário mais amplo de misoginia, violência doméstica e feminicídio.

“É assustador porque as violências políticas são, no fundo, questões estruturais, sejam elas no limite da ameaça à vida, sejam essas violências cotidianas e veladas que tentam desestimular a participação da mulher na política.”

Como denunciar

Mulheres que sofram violência política ou testemunhem o crime podem recorrer a:

  • Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 (telefone 180, WhatsApp (61) 9610‑0180, e‑mail [email protected], videochamada em Libras);
  • Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público;
  • Procuradoria‑Geral Eleitoral, via Sala de Atendimento ao Cidadão do MPF;
  • Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ);
  • Polícia Federal, pelo canal Comunica PF ou delegacias estaduais;
  • Grupo de Trabalho Mulheres da Defensoria Pública da União (DPU) para assistência jurídica.

Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.