O Copom se reúne nesta quarta‑feira (16) para decidir o patamar da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano. A decisão será divulgada após as 18h.
"Na nossa visão, a piora do cenário prospectivo para a inflação [antes mesmo da forte deterioração desta semana] reduz o espaço para novos cortes. Também projetamos manutenção da Selic em 13,75% na reunião de dezembro, com a taxa permanecendo nesse patamar ao final de 2026 e de 2027", afirmou Felipe Salles, economista‑chefe do C6 Bank.
Destaques:
- taxa Selic em 13,75% ao ano
- economistas divididos entre corte para 13,50% ou manutenção
- decisão será anunciada após as 18h
Mercado dividido após a reeleição de Lula
Na primeira reunião do Copom após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, a maioria dos analistas de bancos aposta em um novo corte para 13,50%, enquanto uma parcela considerável prevê a manutenção da taxa. O Brasil lidera um ranking de 40 países com a Selic em 13,75%, correspondendo a 8,45% de juros reais, segundo MoneYou e Lev Intelligence.
Impactos da decisão sobre a economia
A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter pressões inflacionárias, afetando sobretudo a população de baixa renda. Após a confirmação da vitória de Lula, o mercado elevou projeções de inflação, reduziu expectativas de crescimento e passou a prever um dólar mais alto.
"Apesar da maior incerteza e aumento do prêmio de risco na curva de juros futuros, a taxa Selic em 13,50% permanece restritiva o suficiente para amortecer os choques inflacionários esperados para o começo de 2027, considerando o horizonte da política monetária o 2º trimestre de 2028, mas não vemos espaço para a continuidade dos cortes nesse momento [após a decisão desta quarta]", disse Rafaela Vitória, economista‑chefe do banco Inter.
Metas e projeções do Banco Central
O Copom segue o sistema de metas: se as projeções de inflação estiverem dentro da meta (entre 1,5% e 4,5% até 2025), pode reduzir juros; caso contrário, mantém ou eleva a taxa. As decisões consideram a inflação esperada nos próximos anos, não apenas a variação recente de preços, pois os efeitos da Selic demoram a se materializar.