Hackers invadiram a Binance e roubaram US$ 6,3 bilhões em criptoativos, configurando um dos maiores ataques da história do setor. O incidente, divulgado em julho de 2024, levanta questões sobre a cobertura de seguros para perdas digitais e a capacidade das corretoras de arcar com prejuízos tão expressivos.
Seguro de ativos digitais ainda é restrito
A proteção varia conforme o armazenamento das moedas, o método de invasão e as cláusulas contratuais. Seguradoras mantêm cautela devido à regulamentação limitada e à alta volatilidade dos preços. O mercado global de seguros de cripto movimentou US$ 9,37 bi em 2025, com projeção de alcançar US$ 184,98 bi até 2033, segundo a Data Bridge Market Research.
Tipos de cobertura disponíveis
Os seguros podem abranger:
- Crimes: roubos, golpes e fraudes.
- Violação de segurança: invasões e vazamentos.
- Erros e omissões: falhas de software e contratos inteligentes.
- Executivos: processos judiciais contra dirigentes.
- Responsabilidade tecnológica: riscos de infraestrutura.
Cada apólice define limites máximos, franquias e exclusões, como perdas por oscilações de preço ou negligência na proteção de chaves privadas.
O fundo SAFU da Binance
A Binance criou, em julho de 2018, o Fundo de Ativos Seguros para Usuários (SAFU). Em 2026, o fundo acumulava cerca de US$ 1 bilhão em bitcoin, destinado a cobrir situações extremas, como invasões.
Comentários de especialistas
“As empresas de ativos digitais e, cada vez mais, seus clientes institucionais precisam entender exatamente o que está coberto, onde se aplicam as exclusões e os sublimites e quais riscos são retidos”, disse Jacqueline Quintal, líder do setor de instituições financeiras e ativos digitais da Marsh, à Reuters.
“Dada a possível lacuna entre a perda provável/possível e a capacidade de seguro disponível, a tecnologia e os controles de segurança, uma governança sólida e solidez financeira são igualmente importantes para a resiliência”, afirmou.
Desafios dos seguros tradicionais
Apólices convencionais contra crimes geralmente não cobrem criptomoedas, pois foram criadas para bens físicos. Seguros digitais podem pagar despesas de investigação e assessoria jurídica, mas raramente reembolsam o valor total roubado, exigindo coberturas específicas adicionais.
Como as seguradoras avaliam o pedido
Para autorizar indenizações, as seguradoras analisam o vetor do ataque, a conformidade com procedimentos de segurança e se a perda está prevista na apólice. A distinção entre ataque externo e ação interna pode determinar se o caso será tratado como seguro contra crimes ou seguro cibernético.