Apoiadores do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) organizaram um ato próximo à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC‑Rio) nesta terça‑feira, 13 de outubro, e dirigiram ofensas à memória da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018.

O evento ocorreu um dia após a universidade anunciar a proibição de manifestações político‑partidárias no campus até o fim das eleições.

Discurso e ofensas

Em vídeos divulgados nas redes sociais, manifestantes usaram um carro de som para dizer: "Marielle está com papai do céu" e acrescentaram "ou no colo do capeta". O mesmo veículo de som continha críticas a apoiadores de Lula, que responderam com gritos de mobilização e cantaram "Marielle, presente".

A troca de ofensas entre os grupos se intensificou, gerando clima de tensão no entorno da universidade.

Reação da família de Marielle

Luyara Franco, filha da vereadora, publicou um vídeo nas redes sociais condenando o deboche.

"Zombar do assassinato de Marielle Franco não é opinião. Não é debate. Não é liberdade de expressão. É violência política", afirmou. "Transformar o assassinato da minha mãe em motivo de deboche é desrespeitar sua história, sua família e a luta de tantas pessoas que seguem exigindo justiça".

Luyara também ressaltou a trajetória da mãe: "Marielle foi uma mulher brilhante, cientista social formada pela PUC‑Rio, pesquisadora, mestre em Administração Pública e uma parlamentar que dedicou sua vida à defesa dos direitos humanos. Uma mulher que pensava o Brasil com profundidade e trabalhava para transformá‑lo".

Apoio político

Anielle Franco, irmã de Marielle e deputada federal eleita (PT), também se manifestou nas redes sociais em apoio aos estudantes pró‑Lula.

"A minha irmã estudou na PUC‑Rio e eu sou professora. A gente sabe o lado certo da história, que a gente está. A gente está aqui para dizer que a gente resiste", afirmou.

Contexto do assassinato

Marielle Franco foi morta em março de 2018, quando seu carro foi alvejado ao sair de um ato no centro do Rio. Ela e o motorista Anderson Gomes foram assassinados. Os ex‑policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, responsáveis pelos homicídios, foram condenados em 2024.

Domingos Brazão, então conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e Rivaldo Barbosa, ex‑chefe da Polícia Civil do Rio, também foram citados nas discussões sobre o caso, assim como o major da Polícia Militar Ronald de Paula.