O ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, negou responsabilidade pela crise do Banco de Brasília (BRB) em depoimento à Polícia Federal no dia 15 de setembro. O vídeo da oitiva foi tornado público e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta‑feira (29).
"O que eu fiz. Tive problema numa carteira [da Tirreno], peguei ativos do banco e substituí. Peguei ativos próprios meus e substituí, em boa fé com o BRB. E hoje tem mais ativos do que ele pagou, lá. Essa é a realidade", afirmou Vorcaro.
"O que aconteceu? O banco vive de credibilidade. Depois da liquidação e da minha prisão, foi sacado R$ 9 bilhões do BRB. A crise do BRB não causada por mim, não, foi causada pela situação que ocorreu. De liquidação do Master, que era parceiro. Os ativos estão lá, eu não gerei crise de liquidez no BRB", emendou, pouco depois.
Destaques:
- Vorcaro nega culpa na crise do BRB
- Indiciamento de 15 pessoas, incluindo Vorcaro e Paulo Henrique Costa
- STF deve enviar lista ao MPF para decisão
Indiciamento e investigação
Na quarta‑feira (28), a Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa e mais 13 pessoas no inquérito principal do caso Master. A lista será enviada pelo ministro André Mendonça ao Ministério Público Federal (MPF), que decidirá sobre a denúncia.
Transações questionadas
Durante a oitiva, a delegada Janaina Palazzo questionou Vorcaro sobre as carteiras de crédito da consultoria Tirreno, repassadas ao BRB por R$ 11,5 bilhões. A investigação aponta que esses créditos não tinham lastro, configurando fraude. A operação ocorreu quando o BRB já havia anunciado intenção de comprar o Banco Master, compra barrada pelo Banco Central, que liquidou o banco.
Impacto financeiro
A crise do BRB está ligada a operações com o Banco Master entre 2024 e 2025, totalizando R$ 30 bilhões. O BRB estima que R$ 8,8 bilhões desses créditos são títulos inexistentes ou de difícil recuperação. O governo afirma conseguir recuperar R$ 2,2 bilhões e busca empréstimo para cobrir os R$ 6,6 bilhões restantes.
Próximos passos
A PF já prendeu o ex‑presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em abril, acusando-o de permitir negócios sem lastro. A decisão do MPF sobre a denúncia ao STF determinará se os investigados serão processados.