A defesa de Daniel Vorcaro, ex‑dono do Banco Master, protocolou nesta quinta‑feira (29) um parecer preliminar no Supremo Tribunal Federal (STF). O documento alega que o celular apreendido em novembro de 2025 teve 657 arquivos modificados enquanto estava sob custódia do Estado, o que, segundo os advogados, compromete as provas usadas pela Polícia Federal (PF) nos inquéritos que investigam o banqueiro.
Destaques:
- 657 arquivos modificados e 436 criados no celular apreendido
- Defesa solicita preservação e acesso a dados brutos, hashes e registros de manuseio
- PF pediu prazo adicional de 60 dias para concluir perícias
A defesa afirma que não há documento que identifique quem manipulou o aparelho durante a madrugada em que supostamente ocorreu a atividade. "O aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não há um documento sequer que diga quem o manuseou, por que e com que resultado", declarou a defesa.
Pedido de preservação de evidências
O parecer solicita que os dados brutos originais da extração sejam preservados sob custódia verificável, com registros técnicos, valores de hash e documentação completa da cadeia de custódia. Os advogados também exigem acesso aos registros fotográficos dos lacres usados na apreensão e aos registros de posse e manuseio entre a abordagem policial e a perícia.
"Desde 19 de fevereiro de 2026 a defesa pede ao Supremo Tribunal Federal acesso aos arquivos brutos da extração, aos códigos hash, ao auto de apreensão, aos termos de lacração, aos registros de manuseio com a identificação dos responsáveis por cada etapa e à informação sobre eventual participação, na perícia, de pessoas estranhas aos quadros da Polícia Federal", afirmou a defesa.
Indiciamento e relatório da PF
Na quarta‑feira (28), a PF indiciou Vorcaro por suspeita de participação em esquemas envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O órgão enviou ao STF um relatório parcial de mais de 700 páginas, indicando 15 suspeitos, entre eles Vorcaro, Augusto Lima (ex‑sócio) e Paulo Henrique Costa (ex‑presidente do BRB).
Os delegados da PF solicitaram ao ministro André Mendonça, relator do caso, um prazo adicional de 60 dias para concluir as investigações, finalizar perícias e apresentar um relatório complementar.
Núcleo estratégico da suposta organização criminosa
Segundo a PF, Vorcaro e Costa formavam o "núcleo estratégico da organização criminosa" que tentou viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB entre 2024 e 2025. A defesa, porém, contesta a validade das provas digitais, argumentando que a perícia foi solicitada porque Vorcaro não reconhece a veracidade dos conteúdos vazados.