Flávio Bolsonaro deixou a Argentina na quarta‑feira (28) rumo aos Estados Unidos usando passaporte italiano, depois que a Polícia Federal cancelou seu documento brasileiro por descumprir ordem de entrega.
O deputado italiano Angelo Bonelli (Europa Verde) enviou um ofício aos ministérios das Relações Exteriores e do Interior da Itália pedindo esclarecimentos sobre as cidadanias de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro.
Processos de cidadania concluídos em 2023 e 2024
Flávio e Eduardo tiveram a cidadania reconhecida em 2023, enquanto Carlos recebeu o reconhecimento em 2024, com base no princípio do jus sanguinis. A família apresentou como ascendente um bisavô originário do Vêneto.
O ofício indica que os processos de Flávio e Eduardo foram concluídos em cerca de um ano, apesar de o prazo legal máximo ser de 730 dias. A interpelação aponta que, em 2018, mais de 112 mil pedidos aguardavam atendimento no Brasil.
Pedido de investigação administrativa
Bonelli requer a abertura de investigação administrativa e solicita detalhes sobre as datas, etapas dos pedidos e a fila de espera na época. “A lei deve ser igual para todos: para os pobres coitados que esperam há dez anos e para os filhos dos poderosos”, afirmou o deputado.
A resposta ao pedido deverá ser dada oralmente em plenário, sem data definida.

Entrada nos Estados Unidos e possíveis destinos
Flávio Bolsonaro e sua família entraram nos EUA com autorização temporária de permanência por motivos humanitários (parole), válida até outubro de 2027. O documento não é visto como visto nem como asilo; caso a permanência seja revogada, a Itália pode ser destino futuro.
Debate sobre cidadania italiana e justiça brasileira
A situação amplia o debate na Itália sobre o uso da cidadania por indivíduos sob investigação no Brasil. Bonelli citou casos como o da ex‑deputada Carla Zambelli, condenada por invasão de sistemas e porte ilegal de arma, que ainda enfrenta processos de extradição.
Outro caso mencionado foi o de Eduardo Tagliaferro, ex‑assessor do ministro do STF Alexandre de Moraes, que reside na Itália enquanto responde a acusações no Supremo.

Repercussão internacional da carta de Flávio Bolsonaro
A carta de Flávio, publicada na noite de quarta‑feira, recebeu destaque na imprensa italiana e europeia. Inicialmente, ele se autodenominou “o verdadeiro presidente eleito”, depois passou a se chamar “líder do Brasil”.
O Corriere della Sera informou que o presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou a entrada da família nos Estados Unidos, mas afirmou que não interviria na disputa eleitoral brasileira.
O Guardian destacou variações na carta, incluindo um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, enquanto o El País comparou a fuga de Flávio a exílios de Charles de Gaulle, Rui Barbosa e José Martí.