O mercado financeiro brasileiro encerrou outubro sob forte pressão. O dólar comercial avançou cerca de 1% e fechou a R$ 5,44 na sexta‑feira (30), enquanto o Ibovespa recuou 0,75%, aos 167,9 mil pontos.
"O dólar comercial fechou a sexta‑feira em alta de 1,09%, cotado a R$ 5,446, no maior valor de fechamento de 2026", informou a B3.
Destaques:
- alta semanal do dólar acima de 9% – maior desde 2008
- queda do Ibovespa em 0,75% no dia e 9,88% no mês
- próximo passo: mercado acompanha definição da equipe econômica do governo Lula
Valorização do dólar supera marca de 2008
Na semana, o dólar acumulou alta de 9,15%, a maior desde a crise financeira internacional de outubro de 2008. Em outubro, a moeda avançou 5,27%, elevando a valorização anual para 0,81%. A máxima do dia foi R$ 5,463 por volta das 16h, antes de recuar parte dos ganhos.
Pressões internas e externas sobre os ativos
O desempenho dos ativos refletiu a reavaliação dos investidores após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e as incertezas sobre a política fiscal. A expectativa pela definição da equipe econômica do próximo governo e a busca por proteção cambial antes do feriado de Finados também influenciaram o mercado.
No cenário internacional, a queda de ações de empresas de tecnologia e de inteligência artificial pressionou o dólar e as bolsas globais. Em Nova York, o S&P 500 encerrou com queda de 1,82%, refletindo as preocupações com resultados de grandes empresas de tecnologia.
Ibovespa registra pior queda semanal desde a pandemia
O Ibovespa fechou a sessão de sexta‑feira em 167.921,80 pontos, representando o quinto pregão consecutivo de baixa. Na semana, o índice acumulou desvalorização de 18,12%, a maior desde março de 2020, quando recuou 18,88% no início da pandemia de covid‑19.
Em outubro, o Ibovespa recuou 9,88%, o pior resultado mensal desde junho de 2022, quando a perda foi de 11,5%. Dados da B3 apontam retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões nos três primeiros pregões da semana, evidenciando a saída de recursos estrangeiros.
Contexto da formação da taxa Ptax
Parte da volatilidade na primeira metade do pregão esteve ligada à formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central e usada como referência para a liquidação de contratos futuros de câmbio.
No mercado de câmbio, o índice do dólar, que mede a moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, registrava alta de 0,01%, aos 101,890 pontos, às 17h31.