Economia 2027: desafios para Flávio Bolsonaro e Lula

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam a presidência neste domingo (25/10). O candidato eleito, que tomará posse em 5 de janeiro, enfrentará uma dívida pública de R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do PIB, e a necessidade de ajustar as contas públicas diante de um crescimento econômico previsto abaixo de 1% para 2027.

"Um governo bem-sucedido não vai ser aquele que vai apresentar os melhores números nesses quatro anos, mas aquele que vai conseguir deixar uma economia em condições melhores para crescer nos anos seguintes", afirmou Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence.

Destaques:

  • Dívida pública atinge R$ 11,1 trilhões (82,9% do PIB)
  • Ajuste fiscal de 1,5% a 2% do PIB prometido por Flávio
  • Próximas decisões fiscais deverão ser definidas após a eleição

Pressão do mercado e custo de vida

O mercado financeiro cobra um ajuste nas contas públicas, enquanto a população sente o peso do custo de vida e do endividamento recorde. Economistas da BBC News Brasil apontam que nenhum dos candidatos apresentou planos claros para esses desafios, deixando a expectativa para o pós‑eleição.

Propostas de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro indica um "tesouraço" nos gastos e impostos, com promessas de corte de R$ 190 a 250 bilhões nos primeiros 18 meses, equivalentes a 1,5% a 2% do PIB. Ao mesmo tempo, garante manutenção do reajuste real do salário mínimo, a não desvinculação de aposentadorias e a preservação dos pisos constitucionais da Saúde e da Educação. Seu ajuste seria baseado em cortes de ministérios, cargos comissionados e supersalários.

"Se o Flávio ganhar, acontecerá uma frustração para aqueles que acreditaram nesse Flávio novo do segundo turno, que é o Flávio que diz que vai aumentar gastos, que o ajuste dele vai ser de corte de desperdícios, de redução de ministérios, porque a gente sabe que por aí não tem como fazer economia relevante", afirma Felipe Salto.

Propostas de Luiz Inácio Lula da Silva

Lula apresenta um pacote eleitoral que gera despesas fiscais de quase R$ 200 bilhões até 2030, segundo a Warren Investimentos, sem comprometer cortes de despesas. Defende que o crescimento econômico e a ampliação da arrecadação são o caminho para reduzir a dívida, mantendo programas sociais e sem redução dos pisos de Saúde e Educação.

"Não temos, de nenhum dos dois candidatos, propostas ainda bem definidas [de ajuste fiscal], esse é um debate que ficou para depois da eleição, porque todas as propostas passam por redução de despesa, algo que é obviamente impopular", avalia Rafaela Vitória, economista‑chefe do Banco Inter.

Cenário de ajuste fiscal

Especialistas concordam que, independentemente do vencedor, algum ajuste será inevitável. Salto recomenda um plano gradual: corte de 50% nas emendas parlamentares, desindexação da Previdência, revisão do gasto tributário e fim dos supersalários, para evitar recessão.

"Se você fizer um ajuste abrupto no primeiro ano, assumindo que ele fosse possível politicamente, colocaria a economia em recessão", alerta Salto.

Perspectivas para o próximo governo

Se eleito, Flávio pode agradar o mercado pela postura de corte de gastos, mas enfrenta contradições entre promessas de redução de carga tributária e manutenção de benefícios sociais. Lula, por sua vez, pode enfrentar deterioração das condições financeiras, com juros e dólar em alta, pressionando a inflação.

"O governo seria forçado a tomar algumas medidas, ainda que impopulares e contra o que foi anunciado na campanha, por conta da volatilidade mais negativa no mercado", diz Rafaela Vitória.

A realidade fiscal pós‑eleição exigirá decisões difíceis, com risco de recessão caso o ajuste seja muito abrupto.