Dar R$ 10 a uma criança para fazer compras no supermercado pode ser mais que um simples passeio. O bancário Silas Gabriel usa a prática para ensinar ao filho Rafinha, de 5 anos, a observar preços, comparar opções e desistir de itens caros.

“Ele vai olhando os preços, escolhendo o que quer comprar. E, quando vê alguma coisa muito cara, às vezes ele mesmo desiste, procura outra opção”, conta Silas.

Destaques:

  • Criança recebe R$ 10 para escolher produtos
  • Pai e empreendedora usam mesada e cofrinhos
  • Pesquisa Serasa aponta que 28 % dos pais acham investimentos difíceis de explicar

Estratégias caseiras: mesada e três cofrinhos

Em casa, Silas divide o dinheiro em três cofrinhos: gastar, guardar para o futuro e ajudar outras pessoas. O objetivo é ensinar não só a importância de economizar, mas também de compartilhar.

“Então a gente tenta ensinar não só a importância de economizar, mas também a de compartilhar”, afirma.

A jornalista e empreendedora Taiana Costa adotou método semelhante com os filhos Lucas, de 10 anos, e seu irmão de 7. Ela introduziu a mesada aos 9 anos, permitindo que atividades gerem ganhos extras e situações gerem descontos. No fim do mês, a família calcula o saldo.

"Se ele ganhou R$ 100, que tal gastar R$ 90 e guardar R$ 10 para comprar o videogame lá na frente? De pouquinho em pouquinho, você traz a consciência de que é possível alcançar algo mais caro", contou Taina ao g1.

Dados da pesquisa: desafios na educação financeira infantil

Uma pesquisa da Serasa em parceria com a Opinion Box, realizada entre 31 de agosto e 15 de setembro de 2026, entrevistou 1 066 pais de filhos até 18 anos. 28 % consideram investimentos o assunto mais difícil de explicar; dívidas, juros e golpes aparecem com 21 % cada.

Outro levantamento do Instituto Locomotiva mostrou que 83 % dos brasileiros acreditam que crianças preferem telas a brincar na rua, e 82 % são contra o uso de celulares e tablets por crianças até 3 anos.

No estudo da Serasa, 32 % dos pais relataram compras não autorizadas em aplicativos, jogos ou plataformas online, sendo 60 % desses gastos de até R$ 100.

Orientações da especialista Arethuza Zero

A professora doutora Arethuza Zero, fundadora da Educafinanceira, recomenda iniciar a conversa antes mesmo do nascimento, quando os pais decidem sobre o enxoval e o quarto. Na prática, o momento certo chega quando a criança manifesta desejos de consumo.

Ela alerta que não se deve falar de juros com crianças de 3 anos, mas questionar a necessidade de um brinquedo e comparar com itens já possuídos. A mesada é útil, porém não obrigatória; deve ser ajustada ao orçamento familiar e não vinculada a notas escolares ou tarefas domésticas.

Zero enfatiza que, se a mesada acabar antes do mês, os pais não devem repor o valor imediatamente. A situação serve como aprendizado sobre consequências e planejamento.

Para lidar com pagamentos digitais, a especialista sugere usar cédulas e moedas em situações cotidianas, como compras na cantina escolar, para que a criança perceba o dinheiro saindo da conta.

Por fim, recomenda envolver os filhos nas compras domésticas, montar listas, evitar pressa e fome no mercado e usar exemplos concretos para explicar a diferença entre necessidade e desejo.

Quando a família enfrenta dificuldades financeiras

Zero destaca a importância de conversar com honestidade, adequando a linguagem à idade da criança e evitando transferir responsabilidades adultas. Explicar que certas compras não cabem no orçamento atual e buscar alternativas ajuda a desenvolver resiliência e planejamento futuro.