A Prefeitura de Belo Horizonte disponibilizou novamente cerca de 3 mil jazigos perpétuos após concluir, em julho, um recadastramento nos cemitérios municipais. O movimento afeta quatro cemitérios que concentram mais de 103 mil unidades de sepultamento, incluindo jazigos individuais, comunitários e perpétuos.

Destaques:

  • cerca de 3 mil jazigos retomados
  • 40% dos 60 mil jazigos perpétuos com pendências
  • prazo de execução de obras até 90 dias

Recadastramento e retomada de jazigos

A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica informou que os espaços foram retomados por cancelamento, desistência ou abandono. O recadastramento, realizado ao longo de dez anos, buscou atualizar os dados dos concessionários.

“Conseguimos fazer um balanço e retomar alguns jazigos que foram abandonados ou cujos concessionários não tiveram mais interesse em dar continuidade. Isso possibilitou abrir novamente a aquisição de jazigos perpétuos para uso futuro”, afirmou Gelson Leite, presidente da fundação.

Inadimplência e risco de perda

A capital possui aproximadamente 60 mil jazigos perpétuos. Para manter o direito, as famílias pagam taxa anual de R$ 87 a R$ 210. Segundo a fundação, 40% estão inadimplentes ou com documentação irregular. Caso a situação não seja regularizada por longo período, a família pode perder o direito ao jazigo.

Caso do Cemitério da Paz

No Cemitério da Paz, bairro Caiçara, a família de William Martins de Oliveira enfrentou problemas mesmo com taxas em dia. Em setembro, a família realizou duas exumações e pagou R$ 1,4 mil pela reconstrução de estrutura de concreto trincada.

“Pagamos a taxa. O coveiro voltou com a gente, abriu uma parte, retirou as caixas e levou para a administração. Perguntei se não faria a outra parte, e ele disse que não sabia quando seria feita porque era demorado. Na administração, disseram que o serviço é realizado por uma empresa terceirizada e pode levar de 60 a 90 dias”, contou.

A demora impediu a preparação do jazigo para o Dia de Finados. Cecília de Oliveira Martins, mãe de William, disse que não poderá fazer a homenagem anual.

“Eu chorei e sofri muito ao saber da situação. Nunca ficou desse jeito, sem eu poder vir aqui no Dia de Finados. Se tivessem avisado, a gente não teria mexido”, afirmou.

Responsabilidade e prazos

Gelson Leite confirmou que, após o pagamento, a obra fica a cargo de empresa terceirizada, com prazo dependente da programação de cada cemitério.

“A gente tenta seguir corretamente aquilo que foi programado e apresentado à família. Se a empresa não fizer o serviço dentro do que foi acordado, vamos acioná‑la e, inclusive, notificá‑la”, declarou.

A fundação informou que o atraso ocorreu por causa da operação especial para o Dia de Finados e que o serviço será executado na quarta‑feira (4).