A FIFA divulgou nesta sexta‑feira (9) um relatório sobre o monitoramento de mais de 17 milhões de publicações nas redes sociais durante a Copa do Mundo de 2022. O estudo apontou 240.676 mensagens ofensivas, das quais 20% (cerca de 48 mil) continham conteúdo racista.
Destaques:
- 240 mil publicações ofensivas identificadas
- 20% eram de cunho racista
- Próximo passo: reforço das ferramentas de proteção nas redes
O monitoramento, realizado entre 9 de junho e 20 de julho, abrangeu as plataformas X, Instagram, Facebook e TikTok, incluindo contas oficiais das 48 seleções e 1.606 perfis de atletas, treinadores e árbitros. As postagens ofensivas foram direcionadas a 812 indivíduos, representando 50,6% dos envolvidos no evento.
Volume e bloqueio de mensagens
Das 60,7 milhões de mensagens veiculadas nas plataformas da FIFA e das seleções, 9,2 milhões (15%) foram bloqueadas automaticamente antes de chegarem ao público. O restante passou por revisão humana, totalizando 477.217 publicações analisadas.
Casos de abuso extremo
Um jogador, não identificado no relatório, recebeu mais de 10 mil mensagens abusivas, 40% delas racistas, além de homofobia, sexismo e transfobia. O aumento dos ataques coincidiu com comentários raciais feitos por uma figura pública, que se espalharam amplamente nas redes.
"Por ocasião do Dia Mundial da Saúde Mental, reafirmamos o compromisso da Fifa de proteger a comunidade do futebol contra mensagens de ódio nas redes, com o apoio de tecnologias de última geração capazes de combater tanto os conteúdos criados por pessoas quanto as imagens geradas por inteligência artificial", disse o presidente da entidade, Gianni Infantino, em comunicado à imprensa.
Incidentes e repercussões
A senadora paraguaia Celeste Amarilla ofendeu o atacante Kylian Mbappé no X, acusando‑o de ser "colonizado", "feio" e de não saber escrever, apesar de sua origem camaronesa e argelina. O relatório também registrou que 15% das publicações revisadas continham alegações de corrupção contra a própria FIFA, enquanto 14% eram ameaças violentas, com pico após a vitória da Noruega sobre o Brasil nas oitavas de final. Ataques xenofóbicos representaram 12% do total.
Seleções mais visadas
A seleção francesa foi a mais alvo de ataques, com 33% das ofensas de natureza racial. Na Inglaterra, ofensas racistas e xenofóbicas somaram 21%, ambas questionando a formação multicultural dos elencos.