Flávio Bolsonaro (PL) divulgou, nesta segunda‑feira (28), uma carta dirigida a Javier Milei e Donald Trump, agradecendo o apoio que teria recebido para fugir do Brasil após a derrota nas eleições presidenciais.

Flávio afirma que o apoio dos dois presidentes foi decisivo para sua saída do país e anuncia que continuará a liderar a oposição a partir dos Estados Unidos.

Carta e alegações sobre a eleição

Na primeira versão da carta, o senador se autodenominou "verdadeiro presidente eleito do país"; meia hora depois, alterou o termo para "líder do Brasil". O documento contém a acusação de que a eleição foi fraudada pela decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de estender o horário de votação até as 19h, a pedido dos partidos PL e PT.

"Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas", afirmou Flávio.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou que a extensão de duas horas acrescentou 34.393 votos ao total, em um pleito com 158,7 milhões de eleitores aptos. Luiz Inácio Lula da Silva venceu no segundo turno com 64 milhões de votos, enquanto Flávio recebeu pouco mais de 59 milhões.

Críticas ao STF e à Polícia Federal

Flávio também criticou a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, que proibiu sua saída do país e determinou a entrega dos passaportes pessoal e diplomático, medida expedida a pedido da Polícia Federal um dia após a derrota.

Investigações e futuro político

O senador está sendo investigado em dois inquéritos no Supremo: um por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas, ao lado do advogado Willer Tomaz, e outro sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória de seu pai.

Em comunicado à imprensa, Flávio declarou que liderará a oposição dos EUA, assumindo riscos que, segundo ele, os parlamentares do PL no Brasil não podem correr.

"Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr", disse.

Reação internacional

Na manhã de 28/10, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos criticou a concessão de visto ao senador, comparando o tratamento a políticas migratórias para refugiados de conflitos.

"Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro", escreveu o comitê em sua conta no X.

O PL reconheceu a vitória de Lula, assim como o TSE, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e líderes de diversos países, reforçando a legitimidade do pleito apesar das alegações de Flávio Bolsonaro.