Flávio Bolsonaro e família chegaram ao aeroporto executivo Opa‑Locka, em Miami, às 10h24 desta quarta‑feira (28), usando passaporte italiano concedido em 2023. O documento foi empregado após a Polícia Federal cancelar seus passaportes comum e diplomático, decisão do ministro Alexandre de Moraes (STF) no domingo (25).
Ordem do STF e cancelamento de documentos
A PF informou que Flávio foi intimado na segunda‑feira (26) a entregar eventuais passaportes estrangeiros em 24 horas, o que não ocorreu. O ministro Alexandre de Moraes havia determinado, no dia 25, a entrega dos passaportes como medida cautelar em processo que investiga o senador por lavagem de dinheiro.
Rota da fuga
Segundo autoridades argentinas, o senador cruzou a fronteira com a Argentina por terra na noite de terça‑feira (27) pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones. No território argentino, embarcou em um jatinho Gulfstream G400 (registro LV‑JQW) que fez escala em Guayaquil, Equador, antes de seguir direto para os EUA, evitando o espaço aéreo brasileiro.
Reação dos EUA e de aliados
O Departamento de Estado dos EUA confirmou que concederá vistos aos quatro integrantes da família, sem especificar o tipo. O presidente Donald Trump comentou, sem provas, sobre suposta fraude na eleição brasileira que derrotou Flávio, mas não se pronunciou oficialmente sobre a chegada ao país. O presidente argentino Javier Milei e o presidente equatoriano Daniel Noboa também permaneceram em silêncio.
"Em entrevista concedida recentemente nos Estados Unidos, EDUARDO BOLSONARO, irmão do Senador FLÁVIO BOLSONARO, defendeu publicamente que este deixe o país caso não obtenha êxito no pleito eleitoral. Cabe recordar que EDUARDO BOLSONARO foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo".
Contexto político
A fuga ocorreu após a derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial (25/10), onde Lula (PT) obteve 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do senador, diferença de 4,4 milhões de eleitores. A PF havia alertado para risco de fuga, citando declarações do deputado Eduardo Bolsonaro incentivando a saída do país.
Investigações em curso
Flávio Bolsonaro continua investigado pela PF em dois inquéritos: um sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas do advogado Willer Tomaz, e outro sobre financiamento da produção do filme "Dark Horse", biografia de Jair Bolsonaro.