Nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) registrou presença e votou remotamente na sessão ordinária do Senado que aprovou, por unanimidade, a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública na terça‑feira (3).
O parlamentar viajou ao exterior na semana passada, após a derrota no segundo turno das eleições, contrariando ordem do ministro Alexandre de Moraes que exigia a entrega de seus passaportes à Polícia Federal. A decisão judicial fazia parte de processo no STF em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por suposta lavagem de dinheiro ligada a apostas.
Apesar de não ter comunicado a Mesa Diretora do Senado sobre a viagem, o senador mantém mandato até janeiro de 2027 e não há medida que impeça seu acesso ao Sistema de Deliberação Remota. A sessão de terça‑feira foi a primeira em que ele registrou presença desde que chegou aos EUA, alegando perseguição política.
Voto favorável à PEC da Segurança
Flávio Bolsonaro apoiou a proposta de autoria do governo federal, que visa ampliar a integração entre órgãos de segurança pública federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal, com o objetivo de intensificar o combate ao crime organizado.
Ele também apoiou a Emenda nº 85, apresentada pelo senador Carlos Portinho (PL‑RJ), que permite que as Forças Armadas recebam recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública para ações contra crimes transfronteiriços, ambientais e operações de garantia da lei e da ordem (GLO).
Divergência em emenda sobre maioridade penal
O senador votou contra o requerimento do relator da PEC, Rogério Carvalho (PT‑SE), que propunha separar da proposta original as emendas que reduzem a maioridade penal de 18 para 16 ou 14 anos. A proposta de Carvalho foi aprovada por 38 a 36 votos.
Reações e questionamentos
A Agência Brasil questionou o Senado sobre a situação de Flávio Bolsonaro, sem obter resposta até o momento. O gabinete do parlamentar também não se pronunciou.
"As regras da Casa são claras. Para se ausentar, os parlamentares têm que pedir licença prévia à Mesa Diretora do Senado. O que, até onde sabemos, não ocorreu", afirmou Leonardo Nicolau Passos Marinho, advogado autor de ação popular que pede a suspensão judicial do pagamento de salários e verbas de gabinete do senador.
"Vamos ter que analisar como isto se reflete nos argumentos da ação, mas entendo que isso não altera o fato de que o próprio senador manifestou a intenção de se estabelecer nos Estados Unidos, para o que ele precisa abandonar o mandato", concluiu o advogado.