Os investimentos em inteligência artificial (IA) mantêm o crescimento da economia mundial em torno de 3 %, mas podem provocar mudanças profundas no mercado de trabalho, na arrecadação de impostos e na educação, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta segunda‑feira (12) durante sua reunião anual em Bangkok, Tailândia.

"IA, ame‑a ou odeie‑a. Ela já está aqui", afirmou Georgieva.

Destaques:

  • Até 40 % dos empregos globais podem ser afetados pela IA
  • Kristalina Georgieva alertou sobre o risco para jovens profissionais
  • Próximo passo: adaptação de políticas fiscais e educacionais

Impacto nos empregos e na produtividade

Georgieva explicou que a IA pode aumentar a produtividade em algumas funções, reduzir a importância de outras ou eliminar postos de trabalho. Ela descreveu o fenômeno como um “tsunami de movimento lento”, capaz de transformar a forma como as pessoas trabalham e vivem.

Nas economias avançadas, o baque pode chegar a 60 % dos empregos, enquanto nas emergentes o efeito é menor, mas ainda significativo.

Benefícios para a Ásia e demanda por infraestrutura

A diretora‑geral destacou que os investimentos em IA já elevam a demanda por infraestrutura tecnológica, impulsionando o crescimento econômico, sobretudo na Ásia. Ela estimou que a expansão pode elevar o crescimento das economias asiáticas avançadas em 0,5 a 1 ponto percentual e das emergentes em 0,2 a 0,8 ponto percentual.

Georgieva apontou Estados Unidos, China e Índia como principais produtores da cadeia de suprimentos da IA, mas ressaltou que muitas empresas fornecedoras de equipamentos estão na Ásia, inclusive na Tailândia, sede das reuniões deste ano.

Risco para jovens e desigualdades

A redução de vagas de primeiro emprego preocupa autoridades internacionais. Tharman Shanmugaratnam, presidente de Singapura, disse que os governos precisam enfrentar rapidamente a queda na demanda por profissionais recém‑formados.

"Há um problema específico que precisamos resolver muito em breve: o primeiro degrau no emprego, o primeiro trabalho depois da formatura, está enfrentando uma demanda menor", disse.

Shanmugaratnam alertou que a IA pode ampliar a divergência entre países desenvolvidos e em desenvolvimento se não houver políticas ativas.

"A IA vai ampliar essa divergência se formos passivos demais diante dela", afirmou.

Perspectivas do Banco Mundial

Ajay Banga, presidente do Banco Mundial, contestou a ideia de que a IA eliminará empregos de início de carreira, indicando que as mudanças serão mais intensas nas economias avançadas. Nos países emergentes, ele recomenda o uso de sistemas menores, que demandam menos processamento e podem melhorar a produtividade na agricultura, saúde e educação.

Implicações fiscais e educacionais

Georgieva alertou que a IA pode mudar a forma de arrecadação de impostos, ao reduzir a participação do trabalho humano e aumentar a importância dos investimentos em tecnologia. Os governos precisarão adaptar seus sistemas tributários, tradicionalmente baseados em renda e atividade laboral.

A educação também precisará ser reformulada para que os trabalhadores atualizem continuamente suas habilidades, evitando a obsolescência diante da evolução tecnológica.

Desafio para as autoridades

Para os participantes do encontro, o desafio será aproveitar os ganhos de produtividade proporcionados pela IA sem ampliar as desigualdades econômicas nem restringir oportunidades de trabalho, sobretudo para quem está iniciando a carreira.