Com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos programadas para 3 de novembro, a inteligência artificial está cada vez mais presente em anúncios políticos. Pesquisadores identificaram 220 anúncios produzidos com IA, embora estimem que o número real seja maior, e apontam que quase 81% dos gastos vêm de candidatos ou grupos republicanos.
Slopaganda: definição e alcance
A prática, denominada slopaganda, combina propaganda política com conteúdos de baixa qualidade gerados por IA. O termo foi criado por pesquisadores que monitoram a desinformação nas campanhas eleitorais.
Anúncios controversos e uso de IA
Um dos vídeos analisados mostra Abdul El‑Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan, segurando cartas de um jogo com as frases “Morte aos EUA” e “Celebre o 11 de Setembro”. O anúncio inclui ainda uma imagem de família gerada por IA, com o candidato ao lado de quatro mulheres de véu completo.
"A destruição de Israel e do Ocidente não é apenas um jogo para eles", afirma um narrador no vídeo. Em seguida, acrescenta: "É uma missão".
O material foi produzido por uma organização ligada ao senador republicano Ted Cruz, do Texas, e, ao contrário da maioria dos anúncios, informa que foi "criado, total ou parcialmente, com o auxílio de inteligência artificial".
Financiamento e transparência
Segundo o Wesleyan Media Project, mais de US$ 137 milhões (cerca de R$ 753,4 milhões) foram gastos na veiculação desses anúncios, comparado a apenas US$ 50 mil em 2024. Contudo, apenas 27% dos anúncios identificados avisam sobre o uso de IA, conforme Erika Franklin Fowler, codiretora do projeto.
Reação política e opinião pública
O senador democrata Jon Ossoff, da Geórgia, classificou o crescimento da IA na propaganda eleitoral como "profundamente preocupante" e pediu a retirada de um anúncio que não divulgava o uso da tecnologia.
"É um caminho perigoso rumo à destruição da verdade no debate político", afirmou Ossoff ao canal C‑Span.
Pesquisa da Fundação AAPC indica que 73% dos entrevistados consideram o uso de IA em anúncios políticos "inaceitável".
Eficácia da slopaganda
Um relatório do Centro de Política Tecnológica da Universidade de Nova York conclui que a slopaganda pode ser mais eficaz na mobilização de eleitores ou na arrecadação de fundos do que na influência direta sobre o resultado das eleições, ressaltando o risco de sobrecarga de informação para o eleitorado.