O boom da inteligência artificial (IA) pode intensificar as desigualdades de gênero no mercado de trabalho, alertaram dirigentes do Fórum Econômico Mundial (WEF) e do LinkedIn em setembro, durante conferência em Londres.

"O que constatamos é que os tipos de cargos que estão sendo afetados pela IA tendem a ser aqueles em que há uma concentração especial de mulheres", explicou Saadia Zahidi, membro do comitê executivo do WEF, ao apresentar o relatório anual sobre desigualdades entre homens e mulheres.

Destaques:

  • IA pode acentuar diferença de gênero em empregos de escritório
  • Saadia Zahidi e Sue Duke apontam baixa representatividade feminina
  • Próximas etapas: investimento governamental e empresarial desde a formação

Os cargos mais vulneráveis são empregos de escritório qualificados, historicamente ocupados por mulheres e que proporcionaram bons rendimentos nas últimas décadas. Esses postos estão sendo transformados pela adoção de tecnologias de IA.

Nas empresas de IA, a presença feminina é ainda menor. O relatório indica que as mulheres ocupam apenas um em cada cinco cargos em engenharia de IA.

"As mulheres ocupam apenas um em cada cinco cargos em engenharia de IA", explicou Sue Duke, executiva do LinkedIn.

A falta de participação feminina nas áreas científicas e nos novos empregos ligados à IA pode fazer com que os benefícios econômicos da tecnologia favoreçam predominantemente os homens.

Para conter esse cenário, governos e empresas devem investir desde o início na inclusão de mulheres nas formações e funções relacionadas à IA, além de apoiar seu desenvolvimento de carreira em todas as etapas, segundo Duke.

O relatório anual do WEF sobre desigualdades de gênero mostra que, embora a diferença entre homens e mulheres tenha diminuído nos últimos 20 anos, a taxa de redução desacelerou a partir de 2016, em comparação com o período de 2006 a 2016.