O Ibovespa fechou a semana em 167.922 pontos, registrando queda de 18,0% após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. O recuo, acumulado em cinco pregões consecutivos, equipara‑se à pior semana desde a pandemia de Covid‑19, quando o índice despencou 18,88% em março de 2020.
“É equivalente a uma Petrobras inteira e mais R$ 229 bilhões”, diz a consultoria Elos Ayta.
Destaques:
- queda de 18,0% no Ibovespa
- vitória de Lula no segundo turno
- próximo passo: decisão do Copom sobre a Selic
Queda histórica e comparativos
A queda de 18% coloca a semana como a quinta pior desde o Plano Real, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. Apenas crises como a asiática de 1997, a subprime de 2008 e os ataques de 2001 superaram o recuo percentual da bolsa brasileira.
Impacto nas empresas e no câmbio
As empresas listadas na B3 perderam R$ 963 bilhões em valor de mercado, volume que a consultoria equipara a uma Petrobras inteira mais R$ 229 bilhões. No mercado cambial, o dólar (Ptax) subiu 7,61% na semana, a maior alta desde setembro de 2011.
“A queda desta semana é, antes de tudo, a desmontagem de uma aposta. Desde o primeiro turno, liderado pelo senador Flávio Bolsonaro, o mercado passou a precificar uma mudança de rumo na política fiscal", diz Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.
Motivações da volatilidade
Especialistas apontam que o mercado havia apostado na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e na mudança de política econômica. A surpresa da reeleição de Lula provocou a revisão das expectativas, sobretudo quanto às contas públicas e ao risco fiscal. A dívida bruta brasileira chegou a 82,9% do PIB, equivalente a cerca de R$ 11,1 trilhões.
“Os dados fiscais ajudam a entender a vulnerabilidade do mercado, mas não permitem atribuir toda a queda da semana a esse fator. O ambiente internacional, as perspectivas das empresas e o reposicionamento dos investidores também precisam ser considerados", afirma Luiz Dornelas, CEO do Grupo Ludo.
Perspectivas para os próximos dias
Analistas esperam que a volatilidade continue até que o governo apresente sinais claros sobre a equipe econômica e o plano fiscal. A decisão do Copom sobre a taxa Selic, marcada para 4 de outubro, será outro ponto de atenção, com maior chance de manutenção da taxa em 13,75%. Além disso, tensões no Oriente Médio e a alta do petróleo podem manter a pressão sobre os mercados.
“A maior clareza que nós teremos do cenário, sem dúvida nenhuma, é na semana que vem", conclui Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.