Abertura
Levantamento do G1 apontou 93 municípios que se comportaram como "ilhas eleitorais" no segundo turno das eleições de 2026, ao escolher candidato diferente do vencedor em todas as cidades vizinhas. O fenômeno evidencia contrastes regionais entre o apoio a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Distribuição das ilhas eleitorais
Dos 93 casos, 65 municípios elegeram Lula, embora Flávio Bolsonaro tenha sido o mais votado nas cidades ao redor. Em 28 municípios, o inverso ocorreu, com Flávio à frente e Lula predominando nos vizinhos.
A pesquisa comparou o percentual de votos válidos de ambos os candidatos. Um município foi classificado como ilha quando o candidato vencedor nele foi diferente do vencedor em 100% dos municípios vizinhos, considerando em média seis cidades adjacentes.
Regiões e perfis das ilhas
As ilhas de Lula concentram‑se no Sudeste, Sul e Centro‑Oeste, áreas onde Flávio venceu a maioria dos municípios. As ilhas de Flávio aparecem principalmente no Nordeste, Norte e no Norte de Minas Gerais, onde Lula foi predominante.
Em Minas Gerais, a divisão política reflete a presença de 11 ilhas de Lula e 9 de Flávio, evidenciando a polarização entre o Norte e o Sul do estado.
As três ilhas mais expressivas
Sete Quedas (MS)
Em Sete Quedas, Flávio Bolsonaro recebeu 64,5% dos votos válidos, superando Lula por 29 pontos percentuais. Nos municípios vizinhos, Lula venceu com vantagem média de 29,5 pontos.
Campinápolis (MT)
Lula liderou em Campinápolis com 15 pontos percentuais de vantagem sobre Flávio. Nos municípios ao redor, Flávio registrou vantagem média de 44 pontos. O município tem significativa população indígena, incluindo José Acácio Serere Xavante, preso em 2022.
Montes Claros (MG)
Flávio Bolsonaro venceu em Montes Claros por apenas 379 votos (0,16 ponto percentual). Nas cidades vizinhas, Lula manteve vantagem média de 40 pontos percentuais. A cidade é um importante centro regional de comércio, serviços e agronegócio.
Metodologia da análise
A comparação abrangeu os 5.570 municípios brasileiros, usando a malha territorial oficial do IBGE para definir vizinhos, inclusive aqueles que se tocam em um ponto. O critério exigiu ao menos dois vizinhos e diferença de resultados em todos eles. Municípios sem fronteira terrestre, como Fernando de Noronha, foram avaliados pelos três municípios mais próximos.
A contagem considerou apenas o número de municípios, não o total de eleitores, atribuindo peso igual a cidades pequenas e grandes.
Implicações
As "ilhas eleitorais" revelam exceções locais que contrastam com tendências regionais, indicando áreas onde campanhas e dinâmicas políticas podem divergir significativamente das vizinhanças.