A inflação oficial de setembro, apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 0,82%, segundo dados divulgados nesta sexta‑feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado eleva a inflação acumulada em 12 meses para 4,58%, ultrapassando o limite superior da meta de 4,5%.
Pressão da energia elétrica eleva o índice
O principal fator de alta foi a conta de luz, que perdeu o desconto do Bônus de Itaipu. Em setembro, o custo da energia elétrica subiu 7,98%, gerando impacto de 0,32 ponto percentual no IPCA. Em agosto, o bônus havia reduzido a tarifa em 7,63%.
"O bônus consiste na distribuição do saldo positivo da conta de comercialização de Itaipu, hidrelétrica estatal, que vira crédito nas contas de energia", explicou o IBGE.
Grupos que mais puxaram a inflação
Além da habitação, os grupos transportes (+0,89%) e alimentação e bebidas (+0,83%) contribuíram para a alta. As passagens aéreas subiram 9,66% e os combustíveis registraram aumento médio de 1,41%, com gasolina (+1,21%), etanol (+3,16%) e óleo diesel (+1,69%).
Comparativo com a meta e projeções de mercado
A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de ±1,5 ponto percentual (intervalo de 1,5% a 4,5%). O IPCA de setembro ficou acima da projeção do boletim Focus, que estimava alta de 0,60%. Para o fim de 2026, o mercado sinaliza inflação de 5,01%.
Detalhes da coleta e desagregação
O IBGE coleta preços em dez regiões metropolitanas – Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre – além de Brasília e capitais como Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. O índice de difusão mostrou que 55% dos 377 itens pesquisados tiveram aumento de preço.