De Milão a Marselha, passando por Madri e outras capitais, as ruas foram tomadas por protestos intensos nas últimas semanas. No sábado (31/10), mais de 300 mil pessoas foram às ruas em toda a França, e pelo menos 290 manifestantes foram presos, segundo o Ministério do Interior francês.
"Os prédios escolares estão em péssimas condições e são mal conservados... Acho que alguma coisa pode mudar por causa do que a França está fazendo. A França vai impulsionar a Grécia", afirmou Yiannis Papanikolaou, de 17 anos, à AFP.
Destaques:
- Mais de 300 mil manifestantes na França em 31/10
- Detidos incluem grande número de menores de idade
- Próximos passos: governos europeus avaliam respostas legislativas
Confrontos e prisões
Na Alemanha, protestos em Frankfurt, Berlim, Colônia e Hamburgo terminaram em confrontos e saques, com a polícia usando canhões de água. Em Bruxelas, a polícia recorreu a gás lacrimogêneo e canhões de água contra manifestantes que atiravam pedras e rojões.
"Uma crise se sobrepõe à outra", disse Mark Leonard, diretor do Conselho Europeu de Relações Exteriores, à BBC.
Participação de menores
Em Barcelona, mais da metade dos detidos no último fim de semana tinha menos de 18 anos. Em Milão, menores de idade também foram presos, conforme a agência LaPresse.
Reclamações centrais
Os cartazes e palavras de ordem apontam para a insatisfação com a educação, desigualdades sociais e o aumento do custo de vida. Em Lisboa, Carolina Cruz, doutoranda em biologia, alertou sobre o risco de perder a moradia:
"Sou a primeira pessoa da minha família a ingressar em um programa de doutorado e, mesmo com tudo o que estudei, ainda não consigo me sustentar", disse à Reuters.
Em Milão, o manifestante Riccardo, de 22 anos, declarou:
"Mesmo que não consigamos mergulhar o país no caos, como na França, ou bloquear todas as estradas, como na Espanha, o objetivo é pelo menos fazer com que as pessoas voltem a discutir esses problemas", afirmou à AFP.
Diversidade de reivindicações
A onda de protestos inclui jovens de diferentes espectros políticos. Durante a campanha presidencial da Marine Le Pen, apoiadores jovens relataram preocupações com imigração descontrolada e segurança nas ruas, além do custo de vida.
Contexto de crises acumuladas
Segundo Leonard, a Europa enfrenta um acúmulo de crises — financeira, migratória, ambiental, sanitária e inflacionária — que alimentam a polarização nas redes sociais.
"Já vimos isso nos Estados Unidos", acrescentou Leonard.
Nathalie Tocci, ex‑assessora do governo italiano, ressaltou que a participação dos jovens não surpreende diante desse cenário de múltiplas crises.