Abertura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Partido Liberal (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) não pretendem assumir o compromisso de aprovar a PEC que elimina a jornada de trabalho 6x1, tema em debate no Senado Federal.
"Eu estou sabendo, pelo noticiário da imprensa, que o meu adversário está propondo ao partido dele abstenção. Isso saiu na imprensa de hoje. Ele tá com vergonha de dizer que não vai estar no plenário, mas está pedindo para o partido dele, para o PL se abster, na perspectiva de não assumir compromisso com a redução da jornada de trabalho para o povo trabalhador brasileiro", afirmou.
Destaques:
- PEC 6x1 em discussão no Senado
- Flávio Bolsonaro e PL pedem abstenção
- Próximo passo: votação da emenda nas próximas sessões
Tesouraço nas despesas
Lula classificou a proposta de corte de gastos apresentada por Flávio Bolsonaro como uma aberração.
"E uma outra coisa que eu queria conversar com os nossos senadores, com os nossos parlamentares, e que tem levado a uma aberração, do ponto de vista de proposta política, é a ideia do 'tesouraço'", disse.
Ele detalhou os cortes: 59% no Farmácia Popular, 50,7% nos medicamentos, 45% na prevenção do câncer, 97% na infraestrutura escolar, entre outros.
"Vou dar o que significa 'tesouraço' para essa gente: corte de 59% no Farmácia Popular... Corte de 97% na verba para infraestrutura escolar. Só tinha verba suficiente para comprar um ônibus escolar no orçamento deixado para mim. Nós já compramos 12.000 ônibus", afirmou.
Impactos nos programas sociais
O presidente enumerou outros recortes: 99% na prevenção de desastres, 95% no Minha Casa, Minha Vida, mais de 90% nas cisternas do semiárido, 95% no Sistema Único de Assistência Social e cinco anos sem reajuste da verba de merenda escolar.
"Agora eles estão dizendo que vão fazer corte. Eu sei que o corte que eles vão propor, é importante que a sociedade fique atenta", disse.
Confronto eleitoral
Lula rebateu a promessa de Flávio Bolsonaro de aumentar aposentadorias, afirmando que nenhum presidente desde 2003 concedeu aumento acima da inflação.
"Ele não tem experiência. A não ser nós, desde 2003, não tem presidente que conceda aumento aos aposentados acima da inflação", afirmou.
Ao ser questionado sobre pesquisa Datafolha que o coloca 4 pontos atrás de Flávio, Lula declarou que não avalia pesquisas e que seu foco é trabalhar nos próximos 17 dias de campanha.
"Eu não avalio pesquisa. Não trabalho assim", disse. "Tenho 17 dias para isso e minha obrigação é trabalhar para ganhar esses votos", afirmou.
Encontro com a Câmara dos Deputados
Lula comentou reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta, descrevendo-a como muito boa e indicando que Motta ajudará na disputa eleitoral.
"Ele (Hugo Motta) vai me ajudar a ganhar as eleições", disse.
A visita ocorreu um dia após o Republicanos declarar apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, embora no primeiro turno o partido tenha mantido neutralidade.