As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos ocorrerão nesta terça‑feira (3) e podem redefinir o equilíbrio de forças no Congresso. O resultado influenciará a capacidade do presidente Donald Trump de avançar com sua política econômica, com possíveis impactos na cotação do dólar e nas taxas de juros no Brasil.
Destaques:
- Eleições de 3 de novembro podem mudar controle do Congresso
- Democratas têm vantagem nas projeções para a Câmara
- Resultado afetará dólar e juros brasileiros
Controle do Congresso e agenda de Trump
As midterms renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 do Senado. As projeções do BTG Pactual, baseadas no modelo da The Economist, apontam para 239 cadeiras democratas na Câmara contra 196 republicanas, com 96% de probabilidade de maioria democrata. No Senado, o cenário mais provável indica 51 cadeiras democratas e 49 republicanas, com probabilidade entre 65% e 72%.
“As apostas de mercado para as eleições de meio de mandato dos EUA vêm se deslocando a favor de uma onda democrata. Um enfraquecimento do Partido Republicano reduziria o poder do presidente para aprovar determinadas medidas e ampliaria a fiscalização sobre o governo.”, afirmou Andressa Durão, economista do ASA.
Possíveis cenários legislativos
Se os democratas conquistarem as duas Casas, controlarão a agenda legislativa, as comissões de fiscalização e terão maior influência nas nomeações para o Federal Reserve e a Suprema Corte. Caso venham a vencer apenas na Câmara, ainda assim poderão dificultar a aprovação de projetos, enquanto os republicanos manteriam o controle do Senado e das nomeações.
“O mercado financeiro ainda não considerou plenamente a possibilidade de os democratas conquistarem o controle das duas Casas do Congresso. Se isso acontecer, o impasse entre o governo e o Legislativo e o avanço de pautas de confronto, como discussões sobre um possível impeachment, devem aumentar a volatilidade nos mercados globais”, acrescentou Gustavo Sung, economista‑chefe da Suno Research.
Impactos para o Brasil
As decisões do Congresso americano sobre gastos e impostos afetam as expectativas de investidores sobre os títulos do Tesouro dos EUA. Um aumento nos rendimentos desses títulos pode atrair recursos de mercados emergentes, elevando o dólar frente ao real e pressionando as taxas de juros brasileiras.
Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, destaca que uma vitória republicana nas duas Casas daria a Trump mais espaço para cortes de impostos e desregulamentação, o que poderia pressionar o dólar e elevar os juros futuros no Brasil. Já uma vitória democrata reduziria o espaço para expansão de gastos nos EUA, favorecendo a entrada de capitais emergentes, fortalecendo o real e reduzindo as taxas de juros.
“Isso tende a pressionar o dólar para cima frente ao real, elevar os juros futuros brasileiros e dificultar o desempenho da bolsa — especialmente de empresas mais endividadas e de setores sensíveis ao crédito, como varejo e construção.”, analisou Praça.
Relações entre Lula e Trump
Especialistas apontam que a composição do Congresso americano pode influenciar a relação entre Luiz Inácio Lula da Silva e Trump, aumentando a incerteza para investidores. Uma vitória republicana poderia intensificar atritos comerciais, enquanto uma vitória democrata poderia levar a um veto mais rápido de medidas como a Lei Magnitsky.
“Com a reeleição de Lula, podemos esperar mais atritos como esses, caso os Republicanos vençam, ou um veto mais rápido caso os Democratas vençam. Atualmente quem tem derrubado tais ações é o Supremo dos EUA, porém por um processo mais moroso”, avaliou Praça.