O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o Brasil deve receber entre esta semana e a próxima um termo de referência dos Estados Unidos, contendo sugestões de concessões comerciais para reduzir tarifas em setores específicos.
"Quando negociamos um acordo dessa natureza, uma parte apresenta uma proposta e nós fazemos as nossas ofertas. Eles devem nos encaminhar um documento indicando, basicamente, quais são os setores em que gostariam de obter reduções tarifárias, por exemplo, e nós responderemos em seguida. Mas ainda não houve nenhuma antecipação sobre o mérito da proposta", declarou Elias.
Destaques:
- Brasil deve receber proposta dos EUA entre esta semana e a próxima
- Márcio Elias Rosa explicou o processo de troca de ofertas
- Não há expectativa de mudança política nas negociações
Expectativa de documento nos próximos dias
Elias Rosa explicou que a reunião ocorrida nos EUA em 30 de setembro resultou no compromisso americano de enviar um esboço em três ou quatro semanas, prazo que já se encerra. "Essa é a quarta semana. Então, imagino que o Brasil deva receber esse documento entre esta semana e a próxima", disse ao final de um seminário sobre minerais críticos na Câmara dos Deputados.
Como funciona a negociação
Segundo o ministro, em acordos desse tipo, "uma das partes apresenta uma proposta inicial, à qual a outra responde com suas ofertas e contrapropostas". Ele ressaltou que o governo americano está preparando o documento e que, independentemente de discussões políticas, as conversas informais continuam.
"Eles fazem uma proposta dos setores que a eles interessa, e nós vamos responder de acordo com aquilo que convém ao Brasil", completou.
Eleições nos EUA não interferem
Questionado sobre a possível influência das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o ministro foi categórico: "Não, nada. Não muda absolutamente nada". "O Brasil segue o seu percurso, seu trabalho, temos muito trabalho a fazer, e é o povo americano que define as eleições", acrescentou.
Contexto do tarifaço
O governo dos EUA impôs duas rodadas de tarifas ao Brasil: 25% por supostas práticas desleais em áreas como PIX, etanol e propriedade intelectual, e 12,5% por falhas no combate ao trabalho forçado. O Brasil recorreu à OMC, alegando tratamento desigual, e abriu um pedido de consultas. Os EUA se mostraram disponíveis para discutir, mas não indicaram reversão das medidas.
Próximos passos na OMC
Em setembro, presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se encontraram em Genebra para negociar. Foi aberto um prazo de 60 dias para que os países cheguem a consenso; caso contrário, poderá ser instaurado um painel de julgamento na OMC. A China solicitou participação no processo, mas os EUA se opuseram.