A imagem de barro da Virgem Maria, encontrada em 1717 por Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso no Rio Paraíba do Sul, tornou‑se símbolo de fé para milhões de brasileiros.
Origem da devoção
Os pescadores retiraram a estátua submersa após várias tentativas frustradas de pesca. Eles a reconheceram como a Imaculada Conceição e passaram a chamá‑la de Aparecida. O relato de graças e milagres rapidamente atraiu romeiros de todo o país.
Reconhecimento oficial
Em 1930, o papa Pio XI assinou o decreto que proclamou Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil. A cerimônia solene ocorreu em 1931, no Rio de Janeiro, diante de cerca de 1 milhão de pessoas, onde o decreto foi lido publicamente e as bandeiras do Brasil e do Vaticano foram adicionadas ao manto da imagem.
Instituição do feriado
Durante a visita do papa João Paulo II ao Brasil, em 1980, o dia 12 de outubro foi oficialmente instituído como feriado nacional em homenagem à santa. Desde então, aproximadamente 10 milhões de peregrinos visitam anualmente o Santuário Nacional de Aparecida, no estado de São Paulo.
Visão da Igreja
Dom Vilson Dias de Oliveira, bispo emérito de Limeira, descreve a celebração como “farol espiritual” do catolicismo universal. Em carta, ele afirma:
“O achado da pequena imagem nas águas do Rio Paraíba do Sul não inaugurou apenas um capítulo na história da fé nacional, mas inscreveu no patrimônio da Igreja um acontecimento profundamente teológico: a manifestação da solicitude de Maria pelos pequenos, pelos descartados e pelos continentes que buscam a sua libertação e unidade no Evangelho de Cristo”, escreveu.
Ele destaca ainda a “ressonância singular e profética” da devoção para a América Latina, marcada por desigualdades históricas, mas sustentada por uma piedade popular fervorosa.
“O continente latino‑americano, marcado por feridas históricas de desigualdade, mas iluminado por uma piedade popular fervorosa, encontra na Virgem de barro negro a expressão viva do rosto da própria Igreja continental.”
Dom Vilson conclui que a imagem reforça a ideia de que Deus prefere manifestar sua grandeza por meio do que é frágil e humilde, incentivando comunidades a enfrentar desafios sociais, econômicos e espirituais.
“Que as comunidades espalhadas por todo o Brasil e pelos países irmãos da América Latina não temam dar este passo audacioso. Diante dos desafios sociais, econômicos e espirituais que marcam o nosso tempo, a Virgem Aparecida nos recorda que Deus continua a realizar suas maiores maravilhas por meio dos humildes e organizados em comunidade”, concluiu dom Vilson Dias de Oliveira.