A araucária de mais de 40 metros de altura, apelidada de Pinheirão, tombou em fevereiro de 2024 no município de Caçador (SC), dentro de uma floresta experimental da Embrapa Florestas e da Epagri. O incidente foi detectado apenas em abril, durante a manutenção de uma estrada, e desencadeou uma operação de resgate científico para preservar seu patrimônio genético.
A suspeita é de que a árvore tenha tombado em fevereiro deste ano, mas a queda só foi descoberta dois meses depois, no final de abril, durante a manutenção de uma estrada que corta a floresta.
Destaques:
- árvore de 40 metros tombou em fevereiro/2024
- Embrapa iniciou clonagem via enxertia
- próximo passo: avaliação dos clones em 100 dias
Coleta de material vivo
Cientistas da Embrapa foram ao local em busca de brotações vivas no tronco e nos galhos. O engenheiro florestal Ivar Wendling, especialista em clonagem, encontrou ramos ainda emitindo brotos quatro meses após a queda e escalou uma araucária vizinha para coletar brotos na copa, a mais de 40 metros do solo.

Produção de clones
O material recolhido foi levado à sede da Embrapa Florestas, na Região Metropolitana de Curitiba. Em estufa, os pesquisadores já produziram cerca de 50 clones por enxertia, técnica que consiste em inserir o ramo do Pinheirão em uma muda jovem.
Em estufa, os cientistas já produziram cerca de 50 clones a partir do método de enxertia. A técnica consiste em realizar uma pequena cirurgia vegetal, enxertando o ramo recolhido do Pinheirão em uma muda jovem produzida por semente.
Se o enxerto se consolidar após 100 dias, os clones terão 100% do DNA da árvore original, garantindo a conservação genética.
Análise do tronco e história climática
Um disco de madeira do tronco foi enviado a um laboratório no Paraná para secagem lenta e polimento, permitindo a leitura dos anéis de crescimento. Pela dendrocronologia, os cientistas estimam que o Pinheirão tinha entre 400 e 500 anos quando tombou.
Por meio da dendrocronologia — ciência que analisa as marcas anuais no tronco —, os cientistas conseguirão determinar a idade exata da árvore e reconstituir o histórico climático da região ao longo dos séculos.
Estudos do professor Marcelo Scipioni (UFSC) mostram que anéis mais largos indicam anos mais quentes e úmidos, enquanto os estreitos apontam períodos de seca. O encharcamento do solo, principal inimigo das araucárias centenárias, reduz a resistência das raízes e pode levar ao tombamento.

Contexto da espécie no Brasil
A maior araucária do país está em São Joaquim (SC), com diâmetro superior a 3 metros e idade estimada em mais de 600 anos. Atualmente, restam poucas dezenas de exemplares gigantes; entre 1900 e 1970, a espécie foi a árvore mais derrubada do país, reduzindo a cobertura florestal original a apenas 3%.
A escassez desses gigantes reflete a intensa devastação sofrida pela espécie. Durante o ciclo madeireiro, entre 1900 e 1970, a araucária foi a árvore mais derrubada do país.