Quando a espanhola Maricarmen Abascal, de 87 anos, foi despejada da casa onde vivia há mais de setenta anos por falta de pagamento de aluguel, milhares de pessoas foram às ruas na Espanha. Na mesma época, estudantes secundaristas iniciaram protestos na França contra as más condições das escolas públicas, reunindo mais de 500 mil manifestantes em um único dia.
"O estopim dos protestos é diferente em cada país, mas todos compartilham o mesmo espírito do tempo: o custo de vida ficou caro demais", afirmou Thomás Zicman de Barros.
Destaques:
- Mais de 500 mil manifestantes nas ruas da França
- Despejo de Maricarmen Abascal gera protestos na Espanha
- Movimento se espalha para Alemanha, Itália, Bélgica, Albânia e Sérvia
Expansão da onda de manifestações
A mobilização se estendeu a Alemanha, Itália, Bélgica, Albânia e Sérvia, onde o movimento estudantil influenciou as urnas, contribuindo para a derrota do partido do presidente Aleksandar Vučić. Em cada país, o ponto de partida variou, mas o denominador comum foi a pressão sobre o custo de vida.
Impactos nas escolas francesas
Na França, os protestos estudantis evoluíram para confrontos com a polícia em Paris, com relatos de bombas, pedras e prisões. Em 17 de outubro, o número de manifestantes chegou a 550 mil, segundo o Jornal Nacional. O caos nas ruas refletiu a frustração dos jovens diante da falta de perspectivas de futuro.
Análises e consequências
O cientista político Thomás Zicman de Barros, professor associado ao Centro de Pesquisas Políticas da Sciences Po Paris, comparou a onda atual aos protestos de Maio de 1968, destacando riscos para a democracia europeia. Especialistas apontam que a crise econômica, combinada com a percepção de injustiça social, pode gerar instabilidade política nos próximos meses.