O Senado realizou nesta quinta‑feira (8) a terceira sessão de discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que elimina a jornada 6x1. Os debates foram encerrados até a próxima semana, enquanto o governo Lula pressiona para que a votação ocorra antes do segundo turno da eleição presidencial.

Próximas sessões e calendário especial

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP), ainda não definiu as duas sessões que antecederão a votação em primeiro turno. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT‑PE), está recolhendo assinaturas para solicitar um calendário especial que permita a votação antes do segundo turno.

Segundo Alcolumbre, são necessárias 54 assinaturas para requerer tal medida, embora em casos anteriores o plenário tenha aceito pedidos com menos apoio.

Estratégias dos governistas e da oposição

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acredita que conseguirá os apoios necessários na próxima semana. Governistas afirmam já ter os votos suficientes para aprovar a PEC, que garante dois dias de folga por semana sem redução salarial.

A oposição, liderada por apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), tenta adiar a votação. Na quarta‑feira (7), a senadora Tereza Cristina (PP‑MS) se reuniu com Alcolumbre para solicitar que a votação fosse postergada até após as eleições.

"Não faz bem ao país votar um assunto dessa gravidade, dessa importância e com essa repercussão da maneira que está sendo votado", afirmou Rogério Marinho (PL‑RN) na quarta‑feira (7).

Posicionamentos no plenário

Até o momento, apenas o senador Oriovisto Guimarães (PSDB‑PR) criticou o texto, defendendo alterações. Ele declarou: "Eu sou favorável à PEC, quero deixar isso muito claro. Sou favorável à PEC, vou repetir isso quantas vezes for necessário".

A PEC 6x1 é uma das principais apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para virar o jogo na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro
A PEC 6x1 é uma das principais apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para virar o jogo na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução

A PEC propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, assegurando dois dias de repouso remunerado, preferencialmente aos domingos. A transição prevista é de 14 meses, com redução para 42 horas em dois meses e, um ano depois, para 40 horas.

Contexto legislativo

Três das cinco sessões de discussão exigidas foram concluídas. As sessões têm sido marcadas pela ausência de grande parte dos senadores do PL e da oposição, embora a participação virtual tenha permitido a presença de cerca de 60 senadores nas discussões.

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho, ressaltou que a oposição não se nega a discutir a jornada de trabalho, mas considera que o momento não é ideal para avançar com a medida.