O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, será afastado da Secom a partir de 12 de outubro para atuar na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida ocorre com 15 dias restantes para o segundo turno das eleições.

A decisão foi anunciada na cerimônia de assinatura do termo de posse no Palácio do Planalto, em Brasília, na terça‑feira, 14 de outubro. A mudança acontece logo após a troca de comando da campanha, que passou a ser liderada por políticos do Nordeste, com Rafael Fonteles (governador reeleito do Piauí) assumindo a coordenação de comunicação.

Críticas ao foco da campanha

Sidônio tem sido alvo de críticas por concentrar a mensagem na defesa da soberania e das terras raras, em vez de temas de interesse cotidiano dos eleitores. O próprio presidente Lula já qualificou a estratégia como a campanha mais desorganizada que já realizou.

"Agora, o ministro foi pressionado a tirar férias para se dedicar inteiramente à campanha e se afastar da Secom nesse período.", afirmou fonte interna.

Histórico de atuação de Sidônio

Em 2022, Sidônio Palmeira foi o marqueteiro responsável por levar Lula ao terceiro mandato. Embora ainda não formalmente integrado à campanha, ele faz parte de um núcleo dirigente que define estratégias ao lado de Edinho, do ministro da Secretaria‑Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Sidônio também é sócio de Raul Rabello, outro marqueteiro da campanha.

Estratégia de reforço no Nordeste

A troca da coordenação para lideranças nordestinas visa ampliar a votação na região, considerada pelos petistas como a área com maior potencial de votos para Lula e capaz de reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL).

Precedentes de afastamento temporário

A prática de afastar ministros e assessores para a campanha já ocorreu antes do primeiro turno. O fotógrafo Ricardo Stuckert, auxiliar de confiança de Lula, pediu demissão em julho para se dedicar integralmente à campanha. Outros afastamentos temporários incluíram Guilherme Boulos, José Guimarães (ministro da Secretaria de Relações Institucionais) e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, que também se licenciaram sem remuneração antes da votação do primeiro turno.