O Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a inclusão dos nomes de Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo e de seu filho Vasco Rusciolelli Azevedo na lista de procurados internacionais da Interpol. A medida foi assinada nesta quinta‑feira (5) pelo ministro Og Fernandes, relator do caso, e permite eventual pedido de extradição a Portugal.

Viagem ao exterior e indícios de fuga

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o casal deixou o Brasil em 21 de setembro, desembarcando em Lisboa no dia seguinte. O MPF informou à Justiça que eles estavam fora do país e apontou indícios de tentativa de dificultar a localização.

Em agosto, antes da viagem, os condenados comunicaram à Justiça um novo endereço residencial. Quando um oficial de Justiça tentou cumprir diligência em outubro, não encontrou os ocupantes; o porteiro afirmou que Sandra Inês nunca morou no local. O oficial conseguiu falar com Vasco, que encerrou a ligação ao dizer ser servidor do STJ.

Decisão do STJ e risco de fuga

Para o ministro Og Fernandes, a sequência de fatos indica risco concreto de fuga e tentativa deliberada de escapar das determinações judiciais. Ele ressaltou que não se tratava apenas de uma viagem internacional, mas de atitudes que configuram tentativa de evadir a Justiça brasileira.

Condenações na Operação Faroeste

A inclusão na Interpol ocorre um dia após a condenação unânime da Corte Especial do STJ. Sandra Inês recebeu 14 anos e 20 dias de reclusão e perda do cargo; Vasco foi condenado a 13 anos e 11 meses em regime fechado. Ambos foram considerados culpados por corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

No mesmo julgamento, foram condenados o advogado Vanderlei Chilante (4 anos, 11 meses e 25 dias) e o produtor rural Nelson José Vígolo (4 anos, 1 mês e 20 dias). O delator Júlio César Cavalcanti Ferreira recebeu perdão judicial.

Medidas cautelares anteriores

Em setembro de 2020, a prisão preventiva dos dois foi substituída por prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, medida que depois foi revogada, mantendo‑os sob tornozeleira. Em fevereiro de 2022, foram impostas obrigações de atualização de endereço e proibição de contato com outros investigados. A comunicação de endereço não confirmado foi considerada descumprimento das determinações.

Contexto da Operação Faroeste

Deflagrada no fim de 2019, a Operação Faroeste investiga um esquema de venda de decisões judiciais na Bahia, ligado a disputas de terras. O MPF apontou pagamentos de cerca de R$ 4 milhões, dos quais R$ 2,4 milhões foram efetivamente pagos, e suspeitas de grilagem em área superior a 360 mil hectares. A operação já resultou em diversas prisões e condenações de magistrados, advogados e empresários.