O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE‑SP), desembargador José Antonio Encinas Manfré, declarou neste domingo (25) que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prorrogar a votação foi recebida oficialmente às 18h17 e que não houve prejuízo para os eleitores. A medida foi tomada diante de relatos de falhas no transporte público que dificultaram o deslocamento até as urnas.

Manfré explicou que, às 17h04, o g1 já noticiava a decisão do ministro Cristiano Zanin de estender o horário de votação até as 19h. Contudo, a confirmação oficial só ocorreu mais de uma hora depois.

"Ouvimos pela imprensa e fomos à procura de informação. Oficialmente, às 18h17, recebemos a notícia oficial, mas tivemos toda cautela de aguardar. Não houve prejuízos", garantiu Manfré.

Ele acrescentou que 80% das urnas estavam fechadas no momento da decisão, enquanto os 20% restantes permaneceram abertas com filas nos colégios eleitorais.

Problemas de transporte em São Paulo

Na capital e na Grande São Paulo, moradores relataram ônibus enfileirados, garagens lotadas e longas esperas nos terminais. No Terminal Varginha, alguns esperaram até três horas por um ônibus. Em bairros como Santana, Jardim Ângela e Vila Zilda, houve filas e até motoristas que se recusaram a levar eleitores às seções.

Reação dos candidatos

O coordenador da campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, senador Camilo Santana, acusou boicote ao transporte nas capitais governadas por opositores, citando Salvador e São Luís. Ele afirmou que a decisão do STF chegou tarde demais para mitigar os efeitos do caos.

"A decisão [de prorrogar a votação em duas horas] é para garantir que as pessoas possam votar. O problema é que saiu depois que elas estavam fechadas. Em muitas sessões, estão cortando o direito de as pessoas votarem", disse.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou a falta de ônibus em São Paulo e Salvador como crime e violação da legislação eleitoral, apontando prefeitos Ricardo Nunes (MDB) e Bruno Soares Reis (União Brasil) como responsáveis.

"A lei existe para ser cumprida. Quando a legislação estabelece a garantia de direito de transporte ao eleitor, penso que ela deve ser cumprida. Quem descumpre a lei está cometendo um crime e está interferindo no processo eleitoral", declarou.

Ações da Justiça Eleitoral

O ministro Cristiano Zanin prorrogou o horário de votação até as 19h após receber relatos de redução da frota de ônibus às 16h32min49s. A medida foi aplicada a todas as seções eleitorais do país, mas o próprio ministro esclareceu que a extensão deveria valer apenas onde as urnas ainda estavam abertas.

Cidadãos tentam mitigar o caos

Em meio à falta de ônibus, um casal ofereceu caronas a eleitores na zona norte. Eles relataram filas e ônibus parados próximo ao Terminal Santana, às 14h30, sob forte chuva.

Ônibus parados na garagem em Santana, na Zona Norte de SP.
Ônibus parados na garagem em Santana, na Zona Norte de SP. — Foto: Reprodução/TV Globo

"Quando chegamos próximos ao Terminal Santana, vimos muitas filas e ônibus parados, sem prestar serviço. Passamos por volta das 14h30", contou a pessoa entrevistada.

A situação gerou relatos de espera de mais de 40 minutos em pontos como a Estrada M'Boi Mirim, reforçando a dificuldade de acesso às urnas em dia de eleição.