A proposta de Donald Trump de renomear a inteligência artificial (IA) para superinteligência foi anunciada em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em setembro. O presidente afirmou que o termo atual "faz soar como se ela fosse falsa" e que, a partir de então, documentos dos EUA e, espera ele, de todo o mundo deverão usar a nova nomenclatura.

"O nome inteligência artificial faz soar como se ela fosse falsa", afirmou Trump.

Destaques:

  • Proposta de mudar o nome da IA para "superinteligência"
  • Anunciada por Donald Trump na ONU
  • Não há definição clara de como a mudança será implementada

A expressão inteligência artificial surgiu em 1955, nos Estados Unidos, durante a conferência de Dartmouth College, onde pesquisadores como John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester buscaram uma nomenclatura para estudos que combinavam matemática, engenharia e estatística.

"Eles precisavam de uma nomenclatura para pesquisas que misturavam matemática, engenharia e estatística para criar máquinas capazes de exibir raciocínio, algo que não se enquadrava no software tradicional da época", disse Cleber Zanchettin, professor da UFPE.

Origem do termo

O termo foi criado por John McCarthy para diferenciar o campo da IA da cibernética, introduzida por Norbert Wiener em 1948. Pesquisadores reunidos no Dartmouth College definiram a área como "inteligência artificial", embora não tenham chegado a um consenso sobre métodos de desenvolvimento.

Reação dos especialistas

Especialistas como Anderson Soares, do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da UFG, e Cleber Zanchettin questionam a proposta, apontando que mudar um nome consolidado pode gerar confusão e resistência pública.

"O objetivo de mudar o nome me parece muito mais um contragolpe na questão de paralisar o desenvolvimento da IA. Parece mais um ato político do que efetivamente algo construtivo", afirmou Anderson Soares.

Allan Pscheidt, pesquisador de IA, compara a iniciativa a uma demonstração de poder dos EUA, semelhante à corrida espacial, ao sugerir que a mudança sinaliza a iminente conquista da AGI (Inteligência Artificial Geral).

"Quando Trump vem com a ideia de cunhar o termo 'superinteligência', ele está avisando ao mundo que os EUA vão atingir a AGI muito em breve", completou Pscheidt.

Impactos potenciais

Especialistas alertam que a adoção de termos como "superinteligência" pode aumentar o medo da tecnologia entre o público, que ainda demonstra pouca compreensão sobre IA. Pesquisas do Pew Research Center e da CNN mostram que a maioria das pessoas nos EUA e no Brasil está mais preocupada que animada com o avanço da IA.

  • 52% dos brasileiros estão mais preocupados que animados com a IA
  • Cerca de 90% dos americanos compartilham dessa preocupação

A proposta de Trump ainda não tem um caminho definido para implementação, e nenhuma grande empresa de tecnologia se pronunciou oficialmente sobre a mudança.