Abertura
A UFMG inaugurou nesta terça‑feira (27) o supercomputador “Soberano”, instalado no Instituto de Geociências (IGC) do campus Pampulha, em Belo Horizonte. O equipamento usa inteligência artificial para processar grandes volumes de imagens de satélites, drones e radares, visando acelerar a produção de mapas detalhados do país.
Destaques:
- Supercomputador “Soberano” com IA para análise de imagens
- Projeto coordenado por Sônia Carvalho Ribeiro
- Investimento público de R$ 15 milhões
Capacidade de processamento e IA
O “Soberano” reúne oito unidades Nvidia H200, cada uma com 141 GB de memória de alta velocidade, além de dez conjuntos de processadores e cerca de 400 TB de armazenamento. Essa arquitetura permite executar cálculos simultâneos em escala muito maior que computadores convencionais, essencial para tarefas de IA que exigem repetição massiva de operações matemáticas.
"A grande vantagem do supercomputador é extrair informação dessas imagens de forma automática. Então, todas essas imagens de satélites lançadas diariamente vão poder ser rapidamente analisadas para fazer cartografia. Antigamente, quando o mapa estava pronto, ele já estava desatualizado", afirmou Sônia Carvalho Ribeiro, coordenadora do projeto.
Aplicações no mapeamento nacional
A UFMG indica que apenas 8 % dos 8,5 milhões de km² do Brasil estão mapeados na escala 1:25.000. O “Soberano” pretende ampliar esse percentual ao identificar automaticamente mudanças na vegetação, áreas de risco de desastres e características do solo, facilitando o planejamento urbano, a gestão de bacias hidrográficas e a vigilância ambiental.
"O grande objetivo é essa automatização, que faz essa geração para monitoramento ambiental, para a questão de defesa, estar pronta de uma forma muito mais célere e com grande precisão, porque ela tem ciência embasando esse mapeamento", completou Ribeiro.
Parcerias e investimentos
O projeto conta com a colaboração da Universidade Federal de Minas Gerais, do Instituto Militar de Engenharia (IME) e da Diretoria de Serviço Geográfico do Exército (DSG). O investimento público totalizou R$ 15 milhões, com recursos destinados ao supercomputador e à câmera hiperespectral Hyper‑Cam Mini xLW, que também foi apresentada no evento.
A câmera hiperespectral permite distinguir materiais que parecem iguais a olho nu, como folhas saudáveis e secas, diferentes tipos de solo, água, concreto e minerais, aumentando a precisão do mapeamento.
Próximos passos
O “Soberano” será disponibilizado para órgãos como INPE, Ibama, Conab e outras instituições estaduais e federais, que poderão usar a capacidade de processamento para monitorar desmatamento, mineração ilegal, inundações e deslizamentos, além de apoiar a defesa nacional.