Violência política atinge mais mulheres durante campanha eleitoral de 2026

A pesquisa divulgada pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global apontou 134 casos de violência política até o primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4). Desses, 70 foram contra mulheres, representando 52,2% das vítimas.

Dados da campanha e perfil das vítimas

O levantamento cobriu os 50 dias de campanha, iniciados em 16 de agosto. Entre os 102 episódios dirigidos a candidatos, 60 envolveram mulheres (58,8%). Embora as mulheres respondam por cerca de um terço das candidaturas, foram alvos em mais da metade dos ataques.

A coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, Gisele Barbieri, destacou que a violência de gênero “desqualifica e intimida mulheres”, evidenciando risco à democracia.

Tipos de violência e ambientes de ocorrência

A ameaça foi a forma mais recorrente, com 64 casos. Seguiram‑se 33 ofensas, 19 agressões físicas, 11 atentados, 5 criminalizações e 2 assassinatos. Os dois homicídios envolveram agentes municipais (um vereador e um secretário).

A maioria dos incidentes (71) ocorreu nas ruas, mas o ambiente digital também foi citado como terreno de agressões sistemáticas, agravado pela falta de regulação das redes sociais.

"É necessário uma força‑tarefa do Estado para dar respostas mais rápidas contra essas violências", avaliou a pesquisadora em entrevista à Agência Brasil.

Impacto sobre grupos vulneráveis

Pessoas negras foram 44,8% (60) de todas as vítimas; entre as mulheres, 19 eram pretas, ou seja, mais de uma em cada quatro. Sete ameaças de violência sexual tiveram exclusivamente mulheres como alvos.

"Enquanto os homens são atacados por sua atuação política, mulheres, pessoas negras e pessoas trans enfrentam também o racismo, o machismo e a transfobia que estruturam a sociedade brasileira", disse Glaucia Marinho, coordenadora da Justiça Global.

Responsáveis e respostas institucionais

Em 26 episódios (19,4% do total), o autor identificado era agente público, incluindo 14 parlamentares ou governantes e sete agentes de segurança. Até o fim da coleta, nenhum caso recebeu punição definitiva; apenas medidas de urgência, como remoção de vídeos e suspensão de perfis, foram adotadas em oito situações.

Distribuição geográfica

Os estados com maior número de ocorrências foram São Paulo (16), Rio Grande do Norte (13), Minas Gerais (12) e Rio Grande do Sul (10).

Rio de Janeiro (RJ), 04/10/2026 – Eleitores votam em seções eleitorais na Igreja Metodista, em Vila Isabel.
Rio de Janeiro (RJ), 04/10/2026 – Eleitores votam em seções eleitorais na Igreja Metodista, em Vila Isabel. — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil