A reta final das eleições de 2026 registrou múltiplos episódios de violência entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) e apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os incidentes ocorreram em Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Santa Catarina, Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, gerando investigação da Polícia Federal, Civil e Militar.
Vereadora Iara Pimentel agredida em Montes Claros
A Polícia Federal instaurou inquérito após a vereadora Iara Pimentel (PT) ser atingida no rosto durante carreata pró‑Lula em Montes Claros (MG), no sábado (24). O carro de som foi alvejado por garrafas, tijolos e outros objetos. Pimentel recebeu atendimento do Samu e alta da Santa Casa. Três outras pessoas relataram agressões ou ameaças. Agressores vestiam roupas amarelas, bandeira do Brasil e o número 22, símbolos da campanha de Flávio Bolsonaro.
"De maior gravidade, eu diria, uma situação que foi levada hoje à nossa delegacia de Montes Claros, a agressão a uma vereadora e que foi ouvida nesta manhã e o inquérito policial será instaurado para apurar esse episódio.", afirmou Andrei Passos Rodrigues, diretor da PF.
Engenheiro Marcelo de Oliveira Rocha morto em Santos
O engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, 30, foi abordado por cerca de sete homens durante apresentação da Banda Esquerdantina, apoio à reeleição de Lula, em Santos (SP), na madrugada de 24/10. O ataque foi transmitido ao vivo. A Polícia Civil investiga o caso como latrocínio. Marcelo teve morte cerebral confirmada pela família no domingo (25) e o diagnóstico de irreversibilidade foi divulgado na segunda‑feira (26).
Apoiadores de Lula agredidos em Campo Grande e Santarém
Em Campo Grande (MS), na noite de 25/10, apoiadores de Lula foram agredidos em frente a concentração de apoiadores de Flávio Bolsonaro. Um homem de camiseta do Brasil quebrou o para‑brisa de um carro com madeira; o motorista foi derrubado e a passageira também sofreu agressão.
Em Santarém (PA), motociclistas foram atacados por manifestantes vestidos de verde e amarelo e com camisas com o número 22. Um piloto de moto, vestindo camiseta vermelha e bandeira do PT, teve a bandeira arrancada, a moto empurrada e acabou colidindo com um utilitário antes de ser cercado e agredido.
Ataque a tiros em Porto Velho
No centro de Porto Velho (RO), um carro com filhas do vereador Everaldo Fogaça (PSD) foi alvejado a tiros na noite de 25/10. A motorista, Any Diuly Fogaça, relatou que ouviu os disparos enquanto aguardava no semáforo e que duas crianças estavam no veículo.
"Eu vi atirando, escutei os barulhos do disparo e o carro do meu irmão furando o sinal. Tinha duas crianças atrás do carro, que é o meu filho e a minha sobrinha, eles abaixaram na hora do tiro", relatou Any Diuly Fogaça.
Outros episódios de violência
- Em Florianópolis (SC), viatura da Polícia Militar atropelou motociclista de 24 anos durante comemoração da vitória de Lula; a vítima foi hospitalizada e passou por cirurgia.
- Em Três Pontas (MG), vídeo mostrou agressões a mulher de 55 anos e adolescente de 15 anos durante ato político; a adolescente foi puxada pelos cabelos após ofensas proferidas ao condutor de um veículo.
- Na Barra da Tijuca (RJ), homem negro foi conduzido por corrente em ato de apoio a Flávio Bolsonaro; o caso está sendo investigado como crime racial pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.
As autoridades federais e estaduais continuam apurando os fatos, com inquéritos abertos pela PF, PC, PM e tribunais eleitorais. O clima de tensão permanece nas semanas que antecedem a posse do presidente eleito.