O governo argentino comunicou nesta segunda‑feira (27) que não emitirá comunicado oficial para parabenizar Luiz Inácio Lula da Silva pela vitória nas eleições presidenciais brasileiras. A decisão foi anunciada pelo porta‑voz Adrián Ravier, que afirmou que o Brasil não cumprimentou o presidente Javier Milei quando este foi eleito em 2023.

"Não houve nenhum gesto do presidente Lula para cumprimentá‑lo [Milei] pessoalmente, nem nada do tipo. Por enquanto, não há nenhum comunicado que pretendamos divulgar", afirmou Ravier durante coletiva à imprensa.

Destaques:

  • Argentina não enviará mensagem oficial de parabéns a Lula
  • Porta‑voz Adrián Ravier citou falta de gesto recíproco de 2023
  • Decisão anunciada em 27 de outubro de 2024

A declaração ocorre em meio a tensões diplomáticas entre os dois países, que mantêm uma das relações comerciais mais intensas da América do Sul, com US$ 12,8 bilhões em exportações argentinas para o Brasil em 2025 e US$ 18,4 bilhões em importações.

Outros líderes sul‑americanos, incluindo presidentes da Colômbia, Equador, Chile, Peru e Bolívia, enviaram mensagens de felicitação a Lula, contrastando com a postura de Milei, que permanece a única exceção na região.

Em 19 de novembro de 2023, Lula havia publicado no X desejos de “boa sorte e êxito ao novo governo”, sem mencionar Milei. O presidente argentino, por sua vez, já havia acusado Lula de “ladrão corrupto” e de conduzir campanha suja durante a disputa eleitoral.

A tensão se intensificou após Milei chamar Lula de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca” em evento do PL em São Paulo, além de acusar o Brasil de liderar campanha anti‑Argentina na Copa do Mundo.

"Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", disse Milei em entrevista, qualificando suas ofensas como “palavras espontâneas”.

O Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília e solicitou consultas ao seu representante em Buenos Aires, classificando o episódio como “sem precedentes”. O chanceler Mauro Vieira considerou o caso grave, mas descartou medidas drásticas como a retirada de diplomatas.

Ao ser questionado, Lula inicialmente respondeu: “Quem é esse cara?”, mas depois qualificou a atitude de Milei como “patacoada” e reiterou que não aceitará interferências externas na política brasileira.

"Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com o Estado. (...) Eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa.", afirmou Lula em ato do PSB.