O coordenador da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, senador Camilo Santana, declarou que "houve um boicote claro nas capitais" governadas pela oposição ao PT. O alerta foi feito na chegada ao Hotel Intercontinental, em São Paulo, enquanto a equipe aguardava a apuração dos votos do domingo, 25.
"Houve um boicote, claramente, nas capitais, principalmente no Nordeste, que são oposições aos governadores, como Salvador [Bahia] e São Luís [Maranhão]. Boicotaram o transporte público. Isso não existe numa democracia. O povo tem direito de escolher", afirmou.
Destaques:
- Boicote ao transporte em capitais opositoras
- Camilo Santana e Edinho Silva denunciam interferência
- STF prorroga votação até 19h em todo o país
Decisão do STF e prorrogação da votação
O Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogou o horário de encerramento da votação para as 19h, após relatos de redução de frota de ônibus em diversas cidades. A medida, solicitada pela coligação de Lula, vale para todas as seções eleitorais do Brasil.
"A decisão [de prorrogar a votação em duas horas] é para garantir que as pessoas possam votar. O problema é que saiu depois que elas estavam fechadas. Em muitas sessões, estão cortando o direito de as pessoas votarem", disse Santana.
Alegações de boicote em Salvador, São Paulo e São Luís
Santana apontou prefeitos como Ricardo Nunes (MDB) e Bruno Soares Reis (União Brasil) como responsáveis por limitar a oferta de ônibus, ferindo a lisura da eleição. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou a falta de ônibus em São Paulo e Salvador como crime e manipulação.
"É grave o que aconteceu em relação ao transporte no Brasil inteiro. Aqui em São Paulo e na Bahia está caracterizado descumprimento da legislação... Quem descumpre a lei está cometendo um crime e está interferindo no processo eleitoral", declarou.
Impacto nas ruas de São Paulo
Na capital paulista, moradores relataram ônibus enfileirados, garagens lotadas e longas esperas. No Terminal Varginha, alguns esperaram até três horas por um ônibus. Em bairros como Santana, Jardim Ângela e Vila Zilda, motoristas se recusaram a levar eleitores aos locais de votação.
"Quando chegamos próximos ao Terminal Santana, vimos muitas filas e ônibus parados, sem prestar serviço. Passamos por volta das 14h30", relatou um cidadão que preferiu não se identificar.
Reações e próximos passos
Santana informou que a campanha avaliará a situação com a coordenação. Edinho Silva pediu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) faça cumprir a legislação de transporte eleitoral e destacou a necessidade de punição para os prefeitos que descumpriram a lei.
"A lei existe para ser cumprida. Quando a legislação estabelece a garantia de direito de transporte ao eleitor, penso que ela deve ser cumprida", afirmou.
A prorrogação da votação e as denúncias de boicote deverão ser analisadas nas próximas horas, enquanto o processo de apuração segue em todo o país.