Abertura O CNJ aplicou nesta terça‑feira (27) a sanção disciplinar mais grave prevista para magistrados vitalícios e propôs a perda de cargo a juízes ligados ao esquema de venda de decisões judiciais na Bahia, investigado pela Operação Faroeste. A medida afeta desembargadores e juízes aposentados, cujas remunerações serão reduzidas até o trânsito em julgado da ação.

Decisão do CNJ

A votação foi unânime e resultou na aplicação de disponibilidade (afastamento) e na proposta de perda de cargo contra:

  • Desembargador José Olegário Monção Caldas (aposentado)
  • Desembargadora Maria da Graça Osório Pimentel Leal (aposentada)
  • Desembargadora Maria do Socorro Santiago, condenada a 14 anos e 11 meses de prisão pelo STJ e afastada desde 2019
  • Marivalda Almeida Moutinho, ré na operação por corrupção passiva
  • Sérgio Humberto de Quadros Sampaio (aposentado), condenado a 15 anos e 8 meses de prisão pelo STJ

Contexto da Operação Faroeste

A Operação Faroeste investigou um esquema de venda de decisões judiciais ligado a disputas de terras no oeste da Bahia. O Ministério Público Federal (MPF) acusou integrantes do Judiciário de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com o objetivo de legitimar a apropriação de áreas rurais.

Consequências jurídicas

Com a proposta de perda de cargo, a Advocacia Geral da União (AGU) deverá apresentar ação civil no Supremo Tribunal Federal (STF) para efetivar a punição. Embora os magistrados estejam aposentados ou afastados, a decisão impacta a remuneração, pois passam a receber vencimentos proporcionais ao tempo de contribuição até a conclusão do processo.

Os conselheiros também enviaram ofício ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ‑BA) solicitando providências para o cumprimento da sanção e o ajuizamento das ações cabíveis pela AGU.