A Polícia Federal (PF) enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedido para apreender o passaporte de Flávio Bolsonaro (PL) e impedir sua saída do Brasil. A medida se baseia em risco "concreto e atual" de fuga após a derrota nas eleições presidenciais de 25 de outubro.

Destaques:

  • risco concreto de fuga do senador Flávio Bolsonaro
  • pedido de apreensão de passaporte ao ministro Alexandre de Moraes
  • prazo para entrega do documento expirou às 11h de 27 de outubro

A PF identificou três fatores que poderiam facilitar a fuga: a manifestação pública do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que recomendou ao irmão deixar o país; a existência de estruturas nos Estados Unidos que permitem permanência prolongada; e recursos financeiros disponíveis.

"Em entrevista concedida recentemente nos Estados Unidos, EDUARDO BOLSONARO, irmão do Senador FLÁVIO BOLSONARO, defendeu publicamente que este deixe o país caso não obtenha êxito no pleito eleitoral. Cabe recordar que EDUARDO BOLSONARO foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo", afirmou a PF.

A PF também destacou que Willer Tomaz, investigado com Flávio Bolsonaro em um inquérito de lavagem de dinheiro, está em Miami desde agosto de 2026 e dispõe de recursos para permanecer indefinidamente no exterior.

Suspeita de financiamento externo

Investigações apontam que recursos do ex‑banqueiro Daniel Vorcaro podem ter sido usados para sustentar a estrutura de Eduardo Bolsonaro nos EUA. O deputado cassado reside nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.

"Somam-se a isso dois elementos relevantes. O primeiro é que EDUARDO BOLSONARO, ao que tudo indica, já mantém nos Estados Unidos estrutura voltada à permanência de longa duração. O segundo é que permanece sob apuração o real destino dos recursos remetidos aos Estados Unidos por DANIEL VORCARO, por intermédio do doleiro ANTONIO FREIXO. Não está descartada a hipótese de que parte desses valores tenha sido destinada ao custeio da permanência de EDUARDO BOLSONARO em território estadunidense", informou a PF.

Conexões com o filme "Dark Horse"

Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como "Mineiro", realizou sete repasses ao filme Dark Horse por meio do fundo Havengate, controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA. Mineiro firmou acordo de delação premiada homologado pelo ministro André Mendonça (STF) em setembro, devendo colaborar nas investigações.

Processo em sigilo de justiça

A decisão de Moraes integra o processo que investiga a relação de Flávio Bolsonaro com o advogado Willer Tomaz, supostamente envolvendo empresas de Tomaz e apostas esportivas. O caso segue sob sigilo de justiça, e o senador também responde a inquérito sobre possível financiamento da produção de filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.