O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou que o governo esteja avaliando a proposta de tabelar juros da taxa Selic ou de queimar reservas cambiais para compensar eventual saída de capitais no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A declaração surge após o jornal O Globo divulgar que o presidente poderia se encontrar nesta semana com o economista André Lara Resende, um dos arquitetos do Plano Real e defensor das medidas citadas.

"Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente [Lula] e com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, mas não há nada agendado. Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende", disse o ministro em nota.

Destaques:

  • Durigan nega avaliação de tabelar juros ou queimar reservas
  • Não há agenda entre Lula e André Lara Resende
  • Próximo passo: presidente definirá equipe econômica a partir de 3 de outubro

Mercadante também nega propostas

Aloizio Mercadante, presidente do BNDES e aliado histórico de Lula, afirmou que não há proposta de tabelar juros em discussão no governo e que a equipe econômica ainda será definida.

"Não há nenhuma proposta de tabelar juros em discussão, não teve na campanha e não tem no governo. Vamos aguardar o presidente definir a equipe econômica. A campanha já terminou, agora o presidente coordena o processo e define as responsabilidades", disse Mercadante ao g1.

Ele acrescentou que o presidente iniciará discussões sobre o mandato a partir da terça‑feira, 3 de outubro.

Propostas de André Lara Resende

Em setembro, Lara Resende publicou um plano que propõe um novo arranjo fiscal‑monetário, incluindo a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional com metas para os próximos quatro a cinco anos.

"O BC se comprometeria a manter a taxa básica num intervalo entre a meta de inflação, 3,0%, e taxa de crescimento nominal potencial, ou seja, a meta da inflação somada ao crescimento real potencial, o que hoje seria em torno de 5,5% ao ano (3% de inflação mais 2,5% de crescimento)", descreve a proposta.

O economista sugere ainda que o Banco Central reduza a Selic gradualmente ao longo de 12 meses, atingindo cerca de 7,5% ao ano com um spread de segurança de 2%.

A taxa Selic está atualmente em 13,75% ao ano, conforme decisão do Copom.

"A economia tem um problema básico: a extraordinariamente alta taxa básica de juros. Um problema que tem solução clara. Só é preciso vencer os preconceitos associados a uma teoria monetária e fiscal anacrônica", afirmou Resende.

Reações políticas

A deputada Gleisi Hoffmann (PT‑PR) elogiou o artigo de Lara Resende, classificando-o como fundamental para enfrentar a ofensiva sobre a política fiscal brasileira.

Em outra publicação, Hoffmann criticou a reação negativa do mercado financeiro ao suposto encontro entre Lula e o economista, dizendo que o mercado tem "DNA do autoritarismo".

"Parece normal que o presidente Lula chame para conversar gente que não está tão comprometida com essa Faria Lima... isso não quer dizer que esses adversários não tenham entendido ainda que Lula não fará o estelionato eleitoral que defendem", afirmou a ex‑ministra.