A vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições de 2022 provocou forte reação nos mercados financeiros na segunda‑feira, 26 de outubro. O dólar avançou e o Ibovespa recuou, sinalizando a incerteza dos investidores quanto ao futuro fiscal e à política de juros.
"Os preços refletem expectativas sobre crescimento, inflação, juros e, no Brasil, sobretudo a trajetória fiscal", explicou Rogerio Freitas, chefe de investimentos do ASA.
Destaques:
- Dólar subiu após a vitória de Lula
- Bolsa recuou em sessão de 26/10
- Investidores reavaliam risco fiscal
Mercado reage à mudança de cenário político
Desde o início do ano, cotações de dólar, bolsa e juros oscilaram conforme declarações de candidatos e pesquisas eleitorais. A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno e nas pesquisas de segunda rodada gerou expectativa de estabilidade fiscal, o que manteve o dólar mais estável e a bolsa em alta.
Com a surpresa da reeleição de Lula, investidores passaram a calibrar suas apostas, temendo aumento de gastos públicos e possíveis pressões inflacionárias.
Histórico de volatilidade em períodos eleitorais
Estudos mostram que o Ibovespa, o dólar e os juros futuros tendem a reagir com maior intensidade durante eleições, sobretudo quando há incerteza sobre as contas públicas. Em 10 de setembro, pesquisa que colocava Flávio à frente de Lula coincidiu com queda de 0,18% do dólar, para R$ 5,1026, e alta de 1,42% do Ibovespa, que chegou a 188.268 pontos.
"A volatilidade tende a crescer perto das eleições, mas os primeiros atos do eleito pesam mais que o discurso de campanha. Mas cada eleição precisa ser lida no seu próprio contexto", afirmou Rogerio Freitas.
Estratégias para enfrentar a volatilidade
Especialistas recomendam renda fixa como proteção em momentos de alta oscilação. Alvaro Maia, da StoneX, destaca que títulos públicos prefixados e fundos de renda fixa são atrativos quando os juros permanecem em dois dígitos.
"Grande parte do resultado vem da forma como os investimentos são distribuídos. Diversificar, inclusive no exterior, ajuda a reduzir riscos, enquanto uma reserva de fácil acesso evita que o investidor precise vender ativos em momentos de queda. O tempo é o maior aliado", disse Rogerio Freitas.
Investidores devem adequar a carteira ao perfil de risco: conservadores podem priorizar ativos de menor volatilidade, enquanto os mais arrojados podem manter maior exposição a ações, sempre monitorando o cenário político‑econômico.