A imprensa internacional repercutiu nesta terça‑feira (27) a suspeita de que o senador Flávio Bolsonaro teria saído do país pela fronteira com Puerto Iguazú, na Argentina, logo após ser derrotado nas eleições de domingo (25). Veículos como The New York Times, The Washington Post e The Guardian dedicaram destaque ao caso, que pode intensificar tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

Cobertura da imprensa estrangeira
O jornal argentino Infobae informou, na madrugada de terça‑feira, que o senador teria cruzado a fronteira terrestre rumo à Argentina; a agência Reuters confirmou a informação. Flávio está sob investigação nos casos “Dark Horse” e por sua relação com o advogado Willer Tomaz.
O New York Times destacou que o governo dos Estados Unidos pretende conceder vistos ao senador e à família, medida que pode ampliar as tensões entre a administração de Donald Trump e o presidente Lula. A publicação apontou ainda que o Departamento de Estado, sob Marco Rubio, teria atuado nos bastidores para fortalecer a posição política de Flávio antes da eleição.

O site Axios ressaltou que Trump e seu governo apoiaram repetidamente a família Bolsonaro, com o ex‑presidente classificando o processo judicial contra Jair Bolsonaro como “caça às bruxas”.

Possível exílio nos Estados Unidos
A CNN informou que, ao deixar o Brasil, Flávio se juntaria a uma comunidade de conservadores brasileiros em exílio, incluindo seu irmão Eduardo Bolsonaro, o ex‑diretor da ABIN Alexandre Ramagem e o influenciador Paulo Figueiredo.
O Washington Post indicou que fontes acreditam que Flávio esteja na Flórida, embora seu paradeiro exato não seja confirmado. Fontes ligadas ao senador alegam que ele fugiu por temer prisão ainda nesta semana.
A Reuters publicou que “o mistério sobre seu paradeiro gerou preocupações de que ele possa seguir os passos de seu pai, o ex‑presidente Jair Bolsonaro, que se mudou para os Estados Unidos após se recusar a reconhecer a derrota para Lula em 2022”, conforme a agência.
"O mistério sobre seu paradeiro gerou preocupações de que ele possa seguir os passos de seu pai, o ex‑presidente Jair Bolsonaro, que se mudou para os Estados Unidos após se recusar a reconhecer a derrota para Lula em 2022", afirmou a Reuters.
Repercussão na Europa e na América Latina
O Guardian relatou que Bolsonaro não era visto desde segunda‑feira e perdeu, na manhã de terça‑feira, o prazo para entregar seu passaporte à Polícia Federal, alimentando rumores de fuga.
Na Argentina, o jornal La Nación afirmou que o senador está em voo para os Estados Unidos, citando fontes que negam registro formal da saída do país, apesar da denúncia do Infobae.
O espanhol La Vanguardia descreveu a situação como uma queda política e judicial acelerada, ligando a derrota à perda do foro privilegiado e à reabertura de duas investigações por corrupção e lavagem de dinheiro. O veículo também destacou apoio de figuras da direita internacional, como Javier Milei, María Corina Machado e integrantes do movimento MAGA.
Por fim, o El País citou fontes anônimas que teriam informado à Folha de S. Paulo que Flávio descumpriu a exigência do ministro do STF, Alexandre de Moraes, de entregar seus passaportes, reforçando a gravidade da situação.