Abertura
Os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participaram, neste domingo (18), de um debate do segundo turno da eleição presidencial organizado pelo Grupo Bandeirantes, em pool com TV Gazeta, TV Cultura, Jovem Pan e O Estado de S. Paulo. O encontro trouxe à tona divergências sobre a dívida pública e o Bolsa Família.
Dívida pública em foco
Flávio Bolsonaro afirmou que "Essa dívida que o atual governo está deixando, de R$ 11 trilhões". O Banco Central confirmou, em nota de 30 de setembro de 2026, que a dívida bruta atingiu R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do PIB. O indicador inclui dívidas do governo federal, INSS, estados e municípios, não refletindo apenas a dívida federal.
Ao final de 2022, antes do terceiro mandato de Lula, a dívida era de R$ 7,2 trilhões, representando 73,5% do PIB.
Bolsa Família: aumentos e ajustes
Flávio Bolsonaro acusou o ex‑presidente Jair Bolsonaro de elevar o benefício para R$ 600. O valor foi efetivamente alcançado em 2022, mas resultou de iniciativa presidencial (MP 1.076/2021) e posterior aprovação do Congresso, que transformou o complemento de R$ 400 em lei permanente (Lei 14.342/2022). A elevação de R$ 400 para R$ 600 veio de Emenda Constitucional 123, de 14 de julho de 2022, sem necessidade de sanção presidencial.
Em 17 de setembro de 2026, o governo Lula anunciou atualização de 15,04%, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691, com pagamentos a partir de 19 de outubro. A correção, primeira desde a reformulação de 2023, segue o INPC acumulado de março a agosto de 2026.
Condenações judiciais de Lula
Flávio Bolsonaro declarou que Lula foi condenado em todas as instâncias, mas acrescentou que foi "descondenado pelos seus amigos". A parte sobre condenação no STF é fake; o ex‑presidente nunca foi julgado pelo Supremo.
Lula foi condenado em primeira instância nos casos do Triplex do Guarujá (12 jul 2017) e do Sítio de Atibaia (6 fev 2019). As decisões foram confirmadas e ampliadas pelo TRF‑4, mantidas pelo STJ (23 abr 2019) e anuladas pelo STF em 8 mar 2021, por incompetência territorial da 13ª Vara de Curitiba. O STF não julgou o mérito, apenas reconheceu a falta de foro adequado.
Violência contra a mulher em 2025
O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho de 2026, registrou 1.571 feminicídios em 2025, alta de 4% em relação a 2024 e o maior número desde 2015. Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do FBSP, atribuiu o aumento tanto à tipificação quanto ao crescimento real da violência.
Lesões corporais dolosas em contexto de violência doméstica somaram 286.270 casos em 2025, representando uma agressão a cada dois minutos. Tentativas de feminicídio subiram 6%, descumprimentos de medida protetiva 17%, e casos de perseguição 30%.
Comentários finais
Flávio Bolsonaro também afirmou: "Fui o único presidente que fez superávit nos oito anos de governo." Dados do Tesouro Nacional mostram superávit primário nos dois primeiros mandatos de Lula (2003‑2010), mas não em todos os anos de Fernando Henrique Cardoso, que também cumpriu dois mandatos completos.
"[Governo de Lula registrou] recorde de mulher assassinada.", afirmou especialista citada no debate.